
Nova Sintra, 24 Mai (Inforpress) – A médica veterinária da Associação Covets – Veterinários nas Comunidades, considerou “muito positivo” o balanço da décima campanha de castração e desparasitação da população canina realizada na ilha Brava, enaltecendo os avanços no controlo dos animais de rua.
Lara Baptista, que falava à Inforpress, afirmou que acompanha a campanha desde 2019 e que o regresso anual à ilha permite avaliar a evolução dos animais e o impacto do trabalho desenvolvido.
“Para mim é muito bom. Já venho desde 2019, portanto há alguns anos, anualmente, e já conheço muitos animais que revejo todos os anos”, disse, salientando que muitos sobrevivem e apresentam boas condições, apesar da inexistência de serviços veterinários permanentes na ilha.
Segundo aquela responsável, sempre que surgem situações graves os animais recebem tratamento durante a permanência da equipa, embora tenha reconhecido a necessidade de haver assistência veterinária regular na Brava.
“É de louvar ver a abertura para se realizarem estas iniciativas, sobretudo numa ilha pequena, com poucas possibilidades e onde infelizmente não existe saúde animal a tempo inteiro”, sublinhou.
Lara Baptista ressaltou ainda que a Brava é uma das ilhas do país onde mais campanhas deste género têm sido realizadas, considerando que o trabalho conjunto entre a Câmara Municipal da Brava, o Ministério da Agricultura e Ambiente, a associação Biflores e a Covets tem sido “fundamental” para os resultados alcançados.
“É a décima vez que estamos aqui e trabalhamos sempre em conjunto. Cada entidade contribui da forma que pode”, afirmou.
A campanha deste ano, entretanto, decorreu com algumas limitações devido aos constrangimentos nos transportes marítimos.
Conforme explicou a veterinária, a equipa deveria chegar à ilha na quinta-feira, 21, mas apenas conseguiu deslocar-se no sábado, 23, o que reduziu a duração prevista da missão.
“Perdemos dois dias de trabalho, o que faz diferença numa campanha planeada para sete dias e que acabou por passar para cinco”, explicou, acrescentando que algumas localidades previstas ficaram de fora devido à alteração de calendário feita “em cima da hora”.
Ainda assim, a equipa conseguiu actuar nas comunidades de Nossa Senhora do Monte, Nova Sintra e Furna, zonas que, segundo a mesma, concentram maior número de animais e onde o trabalho é realizado todos os anos.
Na localidade da Furna, por exemplo, a médica veterinária apontou a forte presença de parasitas devido ao clima quente da zona, além da elevada quantidade de gatos.
“Há sempre uma maior carga parasitária, mais carraças e muitos gatos. Todos os anos temos muito trabalho”, indicou.
Já em Nossa Senhora do Monte e Nova Sintra, explicou, a procura pelos serviços está ligada sobretudo à densidade populacional e ao número de animais existentes.
Apesar das dificuldades, a mesma fonte mostrou-se satisfeita com a adesão da população e manifestou o desejo de que todas as pessoas interessadas tenham conseguido participar na campanha deste ano.
DM/ZS
Inforpress/Fim
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