
São Filipe, 08 Set (Inforpress) – José Alves, que participou no resgate de sobreviventes e na recuperação de corpos após o acidente de sábado, no Fogo, destacou a mobilização da população e apontou a falta de conhecimentos e meios como dificuldades nas operações.
Morador de Campanha de Cima, José Alves foi um dos voluntários que socorreram as vítimas do acidente ocorrido no trajecto entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, que provocou 25 mortos e 14 feridos.
“Quando cheguei aqui, algumas pessoas já tinham chegado e retirado cerca de quatro crianças, porque o lugar é difícil e as crianças eram mais fáceis de transportar. Havia muitas pessoas feridas e mortas. Foi doloroso, chocante. Nunca imaginei que estaria numa situação destas”, relatou.
José Alves regressou hoje ao local do acidente, onde falou aos jornalistas e recordou os momentos vividos durante as operações de socorro.
Segundo contou, inicialmente, muitas das pessoas que chegavam ao local ficavam desanimadas perante a dimensão da tragédia e as dificuldades de acesso, mas a vontade de ajudar acabou por mobilizar os presentes.
Explicou que conseguiu descer ao local do acidente e retirar algumas vítimas, tendo, na primeira descida, transportado uma adolescente para um local seguro, antes de voltar a apoiar as operações de resgate.
Destacou o apoio dos moradores de Campanha de Baixo e de Chã das Caldeiras, sobretudo dos jovens habituados a percorrer zonas rochosas, o que facilitou a movimentação num terreno de difícil acesso.
“O lugar era de difícil acesso, e foi assim que conseguimos. Depois chegaram as autoridades com macas e foi possível retirar as pessoas que estavam lá em baixo”, apontou.
O morador revelou que realizou quatro deslocações ao local do acidente, apesar do cansaço, salientando que a vontade de ajudar e tentar salvar vidas foi superior às dificuldades enfrentadas.
“Eu dei quatro voltas, foi cansativo, mas eu nem sei de onde vieram as forças”, afirmou, acrescentando que, depois de duas voltas, já não tinha forças para descer novamente, mas o sentimento de ajudar e tentar salvar vidas acabou por ser a maior motivação.
No seu entender, a mobilização espontânea da população foi determinante nas primeiras horas, numa altura em que ainda não havia equipamentos adequados para o transporte das vítimas.
“Se tivéssemos mais meios, seria mais fácil e talvez conseguíssemos salvar mais pessoas. Não temos conhecimentos sobre a forma correcta de levantar uma pessoa acidentada ou ferida, nem sabemos qual é o tipo de problema que tem”, afirmou.
Três dias após o acidente, José Alves descreveu o ambiente vivido na comunidade como de profunda tristeza, salientando que a tragédia marcou não apenas os moradores de Campanha, mas toda a ilha do Fogo.
“Admito que sim, que há falta de conhecimento e de material e de equipamentos para transportar os feridos pode ter agravado a situação de alguns deles”, concluiu.
AV/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar