
Cidade da Praia, 16 Out (Inforpress) – O ministro da Administração Interna, Carlos Sena, anunciou hoje que o Governo está a trabalhar num plano estratégico de segurança interna e cidadania e prevê a alteração do plano de formação dos efectivos da Polícia Nacional.
O governante falava à imprensa, após a audição parlamentar da Comissão Especializada de Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos, Segurança e Reforma do Estado, na qual abordou os desafios da segurança interna, a criminalidade e o reforço dos efectivos policiais.
Segundo o ministro, o plano estratégico pretende definir as orientações para combater o sentimento de insegurança que persiste na população cabo-verdiana, apesar da diminuição dos índices de criminalidade registada a nível nacional.
“A criminalidade tem diminuído de forma sistemática e de forma muito consubstanciada, mas o sentimento de insegurança na população tem aumentado”, reconheceu o governante que apontou que a cidade da Praia concentra 47 por cento (%) da criminalidade registada no país.
Avançou que a criminalidade registou uma redução a nível nacional, com excepção nas ilhas de Santo Antão e da Boa Vista, onde houve um aumento geral dos crimes.
Neste sentido, avançou que o Governo pretende reforçar o policiamento, identificar os locais onde os crimes ocorrem, compreender as suas circunstâncias e apurar os seus autores.
Na mesma linha, defendeu o reforço do diálogo com o Ministério Público para melhorar a resposta às ocorrências criminais.
Na Boa Vista, acrescentou, a Polícia Nacional contará com o apoio da Polícia Judiciária.
Relativamente à delinquência juvenil, o governante classificou-a como uma questão social séria e defendeu a necessidade de prevenir o envolvimento dos jovens em grupos criminosos através da ocupação do seu tempo livre com actividades educativas e sociais.
Na sua perspectiva, o alargamento do horário escolar e a criação de oportunidades para os jovens participarem em actividades, com acompanhamento adequado, poderão contribuir para evitar o seu envolvimento nesses grupos.
No seu entender, a prevenção deve começar antes de entrarem em grupos associados à criminalidade, defendendo uma intervenção que envolva a escola e outras estruturas de apoio.
Segundo Carlos Sena, Cabo Verde deveria dispor, neste momento, de cerca de 2.500 efectivos policiais, tendo em conta as referências estatísticas internacionais, mas adiantou que o país não deverá terminar o ano com 2.000.
Entretanto avançou que o Governo prevê começar a formar 220 efectivos da Polícia Nacional em 2027 sendo que a meta é alcançar pelo menos 3.000 polícias até 2036.
O governante esclareceu, contudo, que o reforço dos efectivos não se limita ao aumento do número de agentes, devendo ser acompanhado por uma melhoria da qualidade da formação.
Nesse sentido, anunciou a intenção de rever o plano de formação da Polícia Nacional, tornando-o mais operacional e ajustado às necessidades das comunidades, das cidades e dos municípios, bem como aos desafios específicos de cada localidade e município.
AV/HF
Inforpress/Fim
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