
Cidade da Praia, 03 Mai (Inforpress) – O dirigente de futebol Fernando Baldé alertou hoje para a falta de financiamento, a insuficiência de infraestruturas adequadas e a baixa presença de mulheres nos espaços de decisão enquanto principais entraves ao desenvolvimento do futebol feminino.
Em declarações à imprensa, a margem II dia do V colóquio internacional INCT Futebol, Fernando Baldé, dirigente de futebol com quase 30 anos de experiência, apresentou uma análise sobre o estado do futebol feminino em Cabo Verde, no âmbito da qual identificou desafios estruturais que continuam a travar o crescimento da modalidade no país.
Entre os principais constrangimentos, apontou a falta de financiamento como uma das barreiras mais significativas, sublinhando que as equipas femininas chegam a “pagar cerca de dez mil escudos” para participar nas competições regionais, sem qualquer apoio institucional consistente.
“Não há nenhuma entidade que financia o futebol feminino, e isso leva ao desânimo e ao desaparecimento de equipas”, referiu.
Outro problema detectado prende-se com a escassez de infraestruturas adequadas.
Segundo o dirigente, os campos de treino são “frequentemente ocupados por associações ou equipas masculinas, restando às atletas femininas horários pouco adequados”.
Acrescentou ainda a inexistência de balneários apropriados e condições mínimas de conforto para a prática desportiva feminina.
O dirigente chamou a atenção para a “baixa representatividade feminina nos órgãos de decisão do futebol”, o que, na sua perspectiva, influencia negativamente a gestão e o desenvolvimento das equipas femininas.
Também fez algumas recomendações para a melhoria do sector, nomeadamente o início simultâneo dos campeonatos masculino e feminino, a criação de mecanismos de financiamento às equipas e a regularização das competições, inclusive em formatos como o futebol de sete, para garantir maior continuidade de jogos.
Na análise mais ampla sobre o futebol cabo-verdiano, Baldé considerou que o “país tem registado uma trajectória positiva”, destacando o desempenho das selecções nacionais em competições internacionais como prova do potencial existente.
O dirigente defendeu ainda a necessidade de reforçar o investimento nas escolas de formação, lembrando que muitos atletas de alto rendimento tiveram origem em projectos de base.
Citou exemplos de jogadores como Ryan e Stopira, que passaram por processos de formação e chegaram ao mais alto nível competitivo.
CG/SR/AA
Inforpress/Fim
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