
Sal-Rei, 11 Ago (Inforpress) – A lixeira da Boa Vista, situada na Ribeira do Rabil, funciona como um aterro “sem controlo” e, perante a situação ambiental crítica, o consultor Morto Fandé propôs a adoção urgente do Método Fukuoka para a reestruturação do espaço.
O diagnóstico foi apresentado durante o workshop de validação do fluxo de resíduos na ilha, enquadrado no Programa Conjunto Promoção de Parcerias Público-Privadas para Impulsionar a Economia Circular na Ilha da Boa Vista, iniciativa das Nações Unidas financiada pelo Joint SDG Fund, com recurso à ferramenta Waste Wise Cities Tool (WaCT), da ONU-Habitat.
O estudo confirma que o espaço de deposição, com cerca de sete hectares, não dispõe de impermeabilização de base, sistema de drenagem perimetral nem mecanismos de contenção e tratamento de chorume, líquido gerado pela decomposição dos resíduos.
À falta de infraestruturas soma-se o facto de a lixeira estar localizada no leito da Ribeira do Rabil, uma das maiores bacias hidrográficas do país, situação que ameaça a qualidade dos solos e das águas subterrâneas e exige a definição de planos para a sua futura selagem e transferência.
Aos riscos de contaminação junta-se a ocorrência contínua de incêndios à superfície provocados por queimas, agravada pela acumulação de gases e pela ausência de triagem na origem de resíduos perigosos, como equipamentos eletrónicos.
Actualmente, os trabalhos no terreno limitam-se à utilização de maquinaria pesada para “agregar” os resíduos dispersos na área envolvente.
Perante esta situação, Morto Fandé defendeu a implementação do Método Fukuoka, um sistema semi-aeróbico de aterro sanitário, de baixo custo e fácil operação, que, em vez de acumular os resíduos ao ar livre ou de os selar totalmente, permitindo a circulação de ar, introduz tubos de drenagem perfurados no fundo e nas laterais do aterro.
Segundo o consultor, o método poderá ser utilizado para reestruturar o local por fases e mitigar a emissão de gases e o risco de queimadas.
O plano de intervenção delineado contempla ainda a optimização dos circuitos de recolha, de modo a recuperar cerca de duas toneladas diárias de resíduos que atualmente não chegam a qualquer canal oficial, bem como a reorganização da rede de 167 contentores instalados na ilha, 77 dos quais em Sal-Rei, cuja eficácia depende de uma recolha diária e ininterrupta.
MGL/JMV
Inforpress/Fim
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