Boa Vista: Mais de 70% dos resíduos sólidos urbanos têm potencial de valorização, revela estudo

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Boa Vista: Mais de 70% dos resíduos sólidos urbanos têm potencial de valorização, revela estudo
11/08/26 - 07:14 pm

Sal-Rei, 11 Ago (Inforpress) - Mais de 70 por cento dos resíduos sólidos urbanos produzidos na ilha da Boa Vista têm potencial de valorização e podem voltar ao circuito económico, segundo um estudo de caracterização apresentado hoje pela ONU-Habitat.

O levantamento foi realizado no âmbito do Programa Conjunto Promoção de Parcerias Público-Privadas para Impulsionar a Economia Circular na Ilha da Boa Vista, uma iniciativa das Nações Unidas financiada pelo Joint SDG Fund, com recurso à ferramenta Waste Wise Cities Tool (WaCT), da ONU-Habitat.

De acordo com o diagnóstico apresentado pelo consultor Morto Fandé, a ilha regista uma produção diária estimada em 21,87 toneladas de resíduos sólidos urbanos, o equivalente a uma média de 0,93 quilogramas por habitante por dia.

A análise da composição dos resíduos aponta que 71,76 por cento do total produzido têm potencial de valorização. 

A matéria orgânica representa a maior parcela, com 26,77 por cento, seguida do vidro (19,67 por cento), dos plásticos recuperáveis (11,42 por cento) e do papel ou cartão (10,27 por cento).

Os dados apresentados indicam ainda uma margem de expansão do mercado e dos negócios de reciclagem na Boa Vista estimada em 14,53 toneladas por dia, quantidade que actualmente é encaminhada para o local de eliminação sem qualquer processo de triagem ou reaproveitamento.

Na sessão de abertura do workshop de validação dos dados, o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, defendeu a necessidade de passar de uma gestão tradicional dos resíduos para um modelo baseado em conhecimento científico e numa abordagem mais inteligente.

O autarca destacou ainda que o turismo, enquanto principal motor económico da ilha, “não compactua com o lixo” nem com a desorganização ambiental, defendendo que a transição para a economia circular deve transformar o desafio do saneamento numa oportunidade de geração de rendimento para a economia local e para os trabalhadores do sector.

MGL/JMV

Inforpress/Fim

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