Comunidade da Guiné-Conacri residente realça integração e pede facilitação na regularização

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Comunidade da Guiné-Conacri residente realça integração e pede facilitação na regularização
02/10/26 - 12:38 pm

Cidade da Praia, 02 Out (Inforpress) – A comunidade da Guiné-Conacri residente em Cabo Verde realçou hoje a importância da integração e das relações de amizade entre os dois povos, mas apelou à facilitação dos processos de regularização e obtenção de documentos.

A posição foi manifestada pelo presidente da Associação dos Guineenses de Conacri residentes em Cabo Verde, Mamadou Baldé, durante as actividades comemorativas do 68.º aniversário da Independência da Guiné-Conacri, realizadas hoje na Câmara Municipal da Praia.

A Guiné-Conacri proclamou a independência de França a 02 de Outubro de 1958, após rejeitar, em referendo, a integração na comunidade francesa.

Segundo aquele responsável associativo, a integração da comunidade tem sido positiva, apesar dos constrangimentos relacionados com os processos de residência e obtenção de documentação.

“Estamos bem integrados aqui em Cabo Verde”, afirmou, acrescentando que vive no país há 26 anos e mantém uma “boa relação” com a comunidade cabo-verdiana, que, segundo disse, tem demonstrado respeito pelo povo da Guiné-Conacri.

O presidente da associação defendeu, contudo, a necessidade de facilitar os procedimentos de entrada, residência e regularização dos cidadãos africanos, sobretudo nos casos de demora na emissão de documentos, que podem dificultar o acesso ao trabalho e a permanência legal no país.

Mamadou Baldé sublinhou ainda a importância da reciprocidade nas relações entre as comunidades africanas, considerando que a experiência de cada comunidade no país de acolhimento pode contribuir para uma melhor convivência.

Por sua vez, o presidente substituto da Câmara Municipal da Praia, Carlos Dias, afirmou que a autarquia pretende manter as diferentes comunidades residentes na capital integradas no processo de desenvolvimento da cidade.

“A Câmara Municipal da Praia, sendo um projecto de Praia para todos, procura envolver as comunidades que vivem também na cidade e manter-nos integrados nesse processo de desenvolvimento da cidade”, afirmou.

Carlos Dias considerou que as actividades promovidas pelas comunidades estrangeiras contribuem para a divulgação de diferentes manifestações culturais, como música, dança, artesanato e hábitos culturais.

“Tudo isso dá uma dinâmica diferente à nossa cidade”, salientou, defendendo a participação das comunidades no desenvolvimento da Praia.

O autarca assegurou ainda que a edilidade está disponível para receber as comunidades e analisar as suas iniciativas, desde que enquadradas na legalidade, incluindo propostas nas áreas da promoção social, saúde e aquisição de terrenos para actividades de interesse comunitário.

Dados do I Inquérito à População Estrangeira e Imigrante, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pela Alta Autoridade para a Imigração (AAI), indicam que Cabo Verde tinha, em 2022, 10.869 estrangeiros residentes, dos quais 319 eram cidadãos da Guiné-Conacri, sendo 188 homens e 131 mulheres.

As relações entre Cabo Verde e a Guiné estão também associadas à circulação de pessoas e aos movimentos anticoloniais, enquanto o associativismo das comunidades imigrantes ganhou maior expressão no país a partir da década de 1990.

KA/AA

Inforpress/Fim

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