
Cidade da Praia, 02 Out (Inforpress) – A líder parlamentar do PAICV, Carla Lima, acusou hoje o anterior Governo de “negligência grosseira” na manutenção dos equipamentos da Electra durante os últimos dez anos, na sequência da recente crise energética no Fogo e em Santiago.
As declarações foram feitas após um encontro com o conselho de administração da empresa, no âmbito da preparação da próxima sessão parlamentar.
Segundo Carla Lima, a reunião teve como objectivo conhecer a situação actual da Electra e os planos para o futuro, tanto no domínio da produção e distribuição de energia como da produção de água.
A líder parlamentar sublinhou que o actual conselho de administração da Electra tomou posse há apenas uma semana e se encontra ainda numa fase de diagnóstico da situação da empresa a nível nacional.
No entanto, logo à entrada em funções, o novo conselho de administração foi confrontado com a crise energética na ilha do Fogo e com as perturbações registadas em Santiago Norte, na sequência da passagem da tempestade.
“São situações que derivam de uma falta de investimento durante 10 anos, seja na aquisição de novos grupos de geradores, como também na falta de manutenção dos equipamentos existentes”, afirmou Carla Lima, classificando a situação como uma “negligência grosseira” no sector da produção de energia.
A dirigente do PAICV garantiu, no entanto, que tanto o conselho de administração da Electra como o Governo estão a tomar medidas para evitar que situações do género voltem a acontecer.
Em relação à ilha do Fogo, Carla Lima afirmou que será mantida a potência alugada que tem assegurado a estabilização da rede nos últimos meses, garantindo que a situação de crise na ilha já foi ultrapassada.
Situação semelhante deverá manter-se na central única do Palmarejo, onde também está a ser utilizada potência alugada.
Para a líder parlamentar, esta solução deverá continuar até à realização dos trabalhos necessários para garantir a produção própria e com segurança, evitando cortes e novas perturbações no fornecimento de energia.
Adiantou ainda que, a médio e longo prazo, o Governo terá de realizar investimentos para a recuperação da rede.
A mesma fonte recordou que, em 2012, foi feito um investimento significativo neste sector, permitindo à central única dispor de capacidade denominada “N-1”, garantindo redundância suficiente para manter o abastecimento da rede em caso de avaria.
“Durante dez anos faltou investimento, faltou manutenção e agora é preciso recuperar essa estabilidade que nós tínhamos e é isso que vamos fazer com o trabalho do Governo em conjunto com a empresa, fazendo os investimentos necessários”, afirmou.
Questionada sobre o impacto dos cortes de energia e das tarifas de electricidade nas famílias cabo-verdianas, Carla Lima disse que as medidas aprovadas no orçamento rectificativo, em Julho, deverão assegurar a estabilização dos preços da energia até ao final do ano.
“Até Dezembro, as medidas que constam do orçamento rectificativo deverão garantir que não haja sobressalto”, declarou.
Para o próximo ano, acrescentou, o Governo continuará a adoptar medidas para proteger as famílias e as empresas, evitando alterações significativas nas tarifas.
JBR/JMV
Inforpress/Fim
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