Artista de Santa Cruz inspira-se na cultura e tradição local para fazer arte com palha de bananeira (c/áudio)

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Artista de Santa Cruz inspira-se na cultura e tradição local para fazer arte com palha de bananeira (c/áudio)
17/03/25 - 07:21 pm

Pedra Badejo, 17 Mar (Inforpress) – Manuel Tavares, conhecido como Ricardo Tavares, é um artista de 43 anos nascido e criado em Santa Cruz, cuja obra reflecte a rica cultura e as tradições do município.

A sua arte, conforme explicou à Inforpress, é um “tributo” às actividades do sector primário, incluindo pesca, agricultura e pecuária, além de incorporar elementos da música e dança locais.

Utilizando materiais acessíveis como palha de bananeira, palha de milho, arames, areia e cascalho do mar, Ricardo “transforma” simples elementos da natureza em peças de arte.

Desde a infância, contou que sempre teve um talento especial para criar, começando a sua trajectória artística com carros de lata e, posteriormente, experimentando com paus de fósforo antes de se dedicar à palha de bananeira.

No dia 14 de Março, Ricardo inaugurou a sua primeira exposição com arte na palha de bananeira no Centro Katchás em Santa Cruz, uma experiência que ele descreve como “enriquecedora”.

“É uma grande oportunidade para divulgar o meu trabalho e espero participar de intercâmbios com outros artistas para aprender mais sobre o mundo da arte”, disse.

Ricardo, que trabalha como guarda, considera o artesanato um hobby, mas é evidente que a sua paixão pela arte vai além do simples passatempo, realçando que já participou de várias exposições, embora com outros tipos de materiais, e com a crescente aceitação da sua actual aposta, tem recebido encomendas e apoio da comunidade local.

Embora não venha de uma família de artesãos, Ricardo acredita que o seu talento é uma paixão nata, que ele tem desenvolvido ao longo dos anos, com paciência e dedicação, além de depositar muito amor em tudo que manuseia para dar forma às palhas.

Em relação às dificuldades enfrentadas, ele menciona a falta de apoio e incentivos para os artesãos, mas reconhece o esforço do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Santa Cruz em apoiar artistas de diversas áreas.

“É fundamental que as entidades governamentais façam mais para promover a igualdade entre os artesãos a nível nacional”, enfatizou Ricardo, que também expressou a sua disposição em ensinar jovens e adultos interessados em seguir a carreira no artesanato.

Pois, ele vê a arte como uma forma de manter a mente ocupada e afastar os jovens dos problemas sociais actuais, lembrando um ditado que diz: “quando se tem a mente desocupada, satanás habita”.

Ricardo Tavares considera a si mesmo um exemplo de como a arte pode ser um poderoso veículo de expressão cultural e transformação social, realçando que a sua jornada é um convite à valorização do artesanato e das tradições locais.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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