Secretário-geral da ONU condena ataques de fundamentalistas islâmicos no Mali

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Secretário-geral da ONU condena ataques de fundamentalistas islâmicos no Mali
26/04/26 - 06:24 am

Nações Unidas, 26 Abr  (Inforpress) – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou profunda preocupação com os ataques reivindicados por fundamentalistas islâmicos no Mali e instou a comunidade internacional a combater o crescimento do "extremismo violento" na região.

António Guterres “está profundamente preocupado com os relatos de ataques em diversas localidades do Mali”, disse no sábado o porta-voz do líder da ONU, Stéphane Dujarric.

O português “condena veementemente estes atos de violência, expressa a sua solidariedade para com o povo maliano e sublinha a necessidade de proteger os civis e as infraestruturas civis”, afirmou Dujarric, num comunicado.

Num contexto de “crescente ameaça do extremismo violento e do terrorismo no Sahel”, Guterres defendeu a necessidade de “apoio internacional coordenado” para “ir ao encontro das necessidades humanitárias urgentes”.

O secretário-geral da ONU reiterou também o apelo a uma “forte coordenação e colaboração” em questões de segurança em toda a região.

A junta militar no poder no Mali decretou um recolher obrigatório imediato de 72 horas em todo o distrito de Bamaco — a capital do país — após uma série de ataques reivindicados por fundamentalistas islâmicos.

De acordo com um comunicado oficial, a decisão foi tomada pelo governador do distrito de Bamaco, Abdoulaye Coulibaly, que citou “necessidades de ordem pública”, nomeadamente “proteger os cidadãos e facilitar as operações de segurança”.

A medida estabelece uma proibição total de circulação entre as 21:00 e as 06:00 (hora local) por um período inicial de 72 horas, que poderá ser prolongado “dependendo da evolução da situação”.

O recolher obrigatório, que já entrou em vigor, aplica-se a todo o território do distrito que rodeia a capital do Mali.

No sábado, os fundamentalistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado à Al-Qaeda, reivindicaram os ataques contra vários pontos de Bamaco e outras cidades do país.

O JNIM, que combate há anos os militares no poder em Bamaco, assumiu a responsabilidade pelos ataques à “sede do presidente maliano Assimi Goïta”, à “sede do ministro da Defesa Sadio Camara”, ao “aeroporto internacional” da capital e a “instalações militares na cidade de Kati”, vizinha de Bamaco.

Em comunicado, o grupo afirmou ainda ter tomado a cidade de Kidal, no norte do país, “após uma operação bem-sucedida contra o Exército maliano e os mercenários do corpo russo, com a participação” da Frente de Libertação do Azawad, a rebelião tuaregue maliana.

O exército maliano admitiu que “grupos terroristas armados” atacaram instalações militares e outras posições na capital, mas garantiu mais tarde que a situação estava sob controlo.

O Mali, governado por uma junta militar, enfrenta há mais de uma década conflitos com fundamentalista islâmicos separatistas, mas esta é considerada uma das maiores ofensivas dos últimos anos.

Inforpress/Lusa/fim

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