
Ribeira Grande, 14 Abr (Inforpress) – O secretário executivo da Comissão Nacional de Cabo Verde para a Unesco, José Évora, apontou hoje o património judaico como uma oportunidade para dinamizar o turismo cultural em Santo Antão e valorizar a história local.
Em declarações à imprensa, após o Simpósio sobre o Património Judaico-Marroquino em Cabo Verde, realizado no Centrum 7 Sóis 7 Luas, José Évora, explicou que a organização tem vindo a sensibilizar os países membros, incluindo Cabo Verde, para a necessidade de mapear sítios com valor histórico e patrimonial.
Segundo o responsável, este trabalho passa, numa primeira fase, pela identificação de locais relevantes, seguindo-se acções de preservação e posterior divulgação, com vista a dar visibilidade a esses espaços e reforçar a sua importância histórica e cultural.
No caso concreto de Santo Antão, José Évora sublinhou que a Comissão Nacional tem acompanhado com atenção as iniciativas desenvolvidas por associações, bem como por autoridades locais e nacionais, no que diz respeito à valorização dos vestígios deixados pela comunidade judaica na ilha.
Neste sentido, a mesma fonte opontou como exemplo positivo o estado de conservação dos cemitérios judaicos existentes em Ponta do Sol e Penha de França, considerando que, ultrapassada a fase de reabilitação, o desafio passa agora por promover a sua divulgação, tanto a nível nacional como internacional.
“A valorização destes espaços poderá contribuir para atrair visitantes interessados no turismo cultural e histórico, tendo em conta a presença judaica em Santo Antão desde o século XIX, marcada por uma forte relevância económica, social e cultural no contexto local e nacional”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de integrar esta temática nos manuais escolares, José Évora admitiu tratar-se de uma opinião pessoal, enquanto historiador e alguém ligado ao ensino, defendendo a inclusão da história da presença judaica nos conteúdos educativos.
Para o responsável, essa abordagem permitiria aos estudantes apropriarem-se de forma mais consciente desta dimensão histórica, sobretudo em Ribeira Grande de Santo Antão, frequentemente apontada como a capital cabo-verdiana da presença judaica.
LFS/CP
Inforpress/Fim
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