
Cidade da Praia, 08 Abr (Inforpress) - Agentes culturais internacionais defenderam hoje, na cidade da Praia, a necessidade de uma maior profissionalização e a afirmação da identidade artística como factores determinantes para a internacionalização dos músicos cabo-verdianos.
As recomendações surgiram no âmbito da 12.ª edição do Atlantic Music Expo (AME), durante a conferência sobre o “Papel estratégico da economia criativa para o desenvolvimento sustentável e cooperação regional”.
O director artístico e de produção do FMM Sines (Portugal), Carlos Seixas, afirmou à imprensa que Cabo Verde possui um potencial significativo, classificando a música como uma das maiores forças do país.
No entanto, chamou a atenção para fragilidades na apresentação dos projectos, sobretudo ao nível da organização e preparação dos materiais de divulgação.
“Cabo Verde não é um país pequeno, é um país enorme de grandes músicos. Mas é preciso uma comunicação clara e tecnicamente cuidada para facilitar a compreensão da identidade artística por parte dos programadores internacionais”, sublinhou Carlos Seixas, defendendo uma maior aposta em agentes que assegurem a componente administrativa e estratégica das carreiras.
O responsável destacou ainda a importância de materiais promocionais actualizados e de qualidade, com especial atenção aos conteúdos audiovisuais, que devem captar o interesse nos primeiros momentos.
Sobre o papel do AME, entende tratar-se de um espaço essencial para medir a dinâmica do sector musical cabo-verdiano e reforçar ligações com o mercado internacional, considerando-o um ponto de encontro relevante entre artistas, agentes e programadores.
No mesmo sentido, a directora do Oslo World Festival (Noruega), Alexandra Archetti, enfatizou que o sucesso global exige "tempo, consistência e uma construção sólida da identidade artística".
A responsável considerou fundamental que os artistas invistam na sua visão criativa e apostem numa estratégia de carreira que inclua participação em diferentes concertos e mercados, mesmo em fases iniciais.
A mesma realçou também a importância da ligação às raízes culturais como elemento diferenciador no panorama global, apontando que a autenticidade pode ser determinante para alcançar novos públicos.
Alexandra Archetti defendeu ainda a necessidade de acompanhamento profissional, com agentes capazes de orientar decisões estratégicas e gerir oportunidades em diferentes territórios, prática comum no circuito internacional.
No que diz respeito ao contexto cabo-verdiano, manifestou interesse na diversidade musical existente no país e incentiva o reforço da presença de artistas locais e regionais no AME, como forma de valorizar e tornar mais visível a produção musical do arquipélago.
A 12.ª edição do Atlantic Music Expo decorre na capital cabo-verdiana, reunindo centenas de profissionais da indústria musical de diversos continentes, entre artistas, delegados e jornalistas especializados.
KF/SR//CP
Inforpress/Fim
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