Ilha do Sal: Ministro da Saúde defende reinvenção do sistema com foco nos cuidados primários e consenso nacional

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Ilha do Sal: Ministro da Saúde defende reinvenção do sistema com foco nos cuidados primários e consenso nacional
05/02/26 - 07:57 pm

Santa Maria, 05 Fev (Inforpress) – O ministro da Saúde defendeu hoje, na cidade de Santa Maria, a necessidade de Cabo Verde mudar, reinventar e inovar os modelos de prestação de cuidados de saúde, com maior proximidade às populações e reforço dos cuidados primários.

No seu discurso de encerramento do 1.º Encontro Nacional da Saúde, que decorreu durante três dias na ilha do Sal, Jorge Figueiredo sublinhou que o país vive uma “encruzilhada” marcada pela transição das doenças infecciosas para as doenças crónicas não transmissíveis, que já representam entre 65% e 70% das causas de morbilidade e mortalidade.

Perante este cenário, considerou “urgente” a construção de um sistema de saúde mais “resiliente, resolutivo e centrado nas reais necessidades” da população.

Jorge Figueiredo destacou a importância do encontro, que reuniu a “elite da saúde” nacional, para reflectir sobre soluções capazes de aproximar o sistema dos cidadãos e responder de forma mais eficaz às novas demandas. 

Nesse sentido, defendeu a criação de um “exército de mudança”, baseado no consenso entre todos os intervenientes do sector, alertando que a falta de alinhamento pode comprometer as reformas necessárias.

O ministro advertiu ainda que a manutenção de um modelo excessivamente centrado no hospital, cada vez mais gravoso em termos financeiros e de recursos, poderá conduzir o país a dificuldades acrescidas.

Em contrapartida, apontou os cuidados primários de saúde, desenvolvidos com “humanismo, proximidade e qualidade” em todas as ilhas, como a via para alcançar “mudanças profundas” e reforçar a confiança da população no sistema nacional de saúde.

Também presente na sessão de encerramento, a representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Ann Lindstrand, considerou o encontro um “momento relevante” para consolidar reflexões e reafirmar compromissos para o futuro do sector.

Segundo afirmou, ao longo dos debates ficou claro que a “saúde ocupa um lugar central” no desenvolvimento económico e social do país.

Ann Lindstrand destacou a importância da “apropriação plena” da Política Nacional de Saúde, em elaboração, baseada no princípio de “saúde em todas as políticas”, bem como a necessidade de inovar na sustentabilidade financeira do sistema.

Neste quadro, realçou a proposta de criação do Fundo Nacional para a Saúde, apoiado por instrumentos como as Contas Nacionais de Saúde e a Matriz do Progresso de Financiamento, que permitirão decisões mais informadas, transparentes e orientadas para resultados.

A representante da OMS sublinhou igualmente o reforço da qualidade dos cuidados de saúde, através da elaboração e implementação de uma Estratégia Nacional de Qualidade, focada em cuidados seguros, eficazes e centrados na pessoa, bem como a humanização da saúde em todos os contextos do arquipélago.

Outro ponto-chave referido foi a “melhoria da preparação e resposta às emergências de saúde pública”, com a implementação do Guia de Vigilância Integrada das Doenças e Respostas e das emendas mais recentes do Regulamento Sanitário Internacional (RSI). 

Neste âmbito, considerou “essencial” a criação da Autoridade Nacional do RSI, para assegurar a articulação intersectorial e o cumprimento das obrigações internacionais em matéria de segurança sanitária.

Ainda durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, sublinhou que o encontro permitiu “identificar de forma clara” os desafios e problemas do sector, defendendo que é agora “fundamental” concentrar esforços e conhecimento técnico para a implementação eficaz das políticas de saúde.

Para o autarca, Cabo Verde é um “caso excepcional” a nível mundial, tendo alcançado resultados muito positivos, embora enfrente novos desafios que exigem soluções integradas.

Júlio Lopes defendeu uma visão holística da saúde, lembrando que esta não se resume apenas aos médicos e profissionais de saúde, mas envolve todos os sectores e áreas de intervenção da sociedade.

O 1.º Encontro Nacional da Saúde encerrou com a “convicção” de que Cabo Verde dispõe de “visão, capacidade técnica e determinação” para continuar a construir um sistema de saúde mais eficiente, moderno e equitativo, preparado para os desafios do futuro.

NA/ZS

Inforpress/Fim

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