Mindelo, 20 Mar (Inforpress)- O presidente do conselho da administração da Enapor disse hoje que a Associação dos Armadores de Pesca (Apesc) será a maior beneficiária do projecto Monte Cara Atlantic Marina, que será erguido nos estaleiros navais da Onave.
Ireneu Camacho falava no balanço das jornadas portuárias realizadas em São Vicente.
Ao ser questionado sobre o posicionamento da Apesc que se mostrou contra o projecto porque “não vislumbra como vão coabitar a actividade de reparação, manutenção e construção e naval com marinas e hotéis”, o presidente da Enapor disse que o maior beneficiado do projecto Monte Cara Atlantic Marina, de um investidor belga, apresentado nas jornadas, é a própria Apesc e os pecadores.
Por isso, reforçou, é preciso que as pessoas percebam que a economia cabo-verdiana está muito à volta do sector das pescas.
“O projecto para a Onave prevê um terminal específico para a pesca, um estaleiro naval com capacidade para fazer construção e reparação naval. Vai ter a expansão do Complexo de Pesca de Cova de Inglesa. Tudo isto mostra que este projecto tem muito a ver com o pescar”, explicou a mesma fonte, para quem o projecto foi partilhado com todas as entidades, que concordaram.
Conforme Ireneu Camacho, a Enapor está amplamente em concertação com todas as entidades que envolvem o projecto da Onave, nomeadamente a Apesc.
“Nós já nos reunimos com a Apesc e tudo o que a associação solicitou durante os encontros está incluído no projecto que nós temos neste momento. Brevemente será apresentado ao público para que nós possamos dar início a este grande projecto, que beneficia não só a economia da ilha, mas também, de uma forma directa, os pescadores”.
Em declarações à RCV, o presidente da Associação dos Armadores de Pesca (Apesc), Suzano Vicente, posicionou-se contra a construção do projecto Monte Cara Atlantic nos estaleiros navais da Onave.
Segundo Suzano Vicente, da forma como o projecto está concebido, a Apesc não consegue vislumbrar uma coabitação do ambiente de manutenção, reparação e construção naval com o de hotéis e marinas, porque no estaleiro naval da Onave pode-se ter a necessidade de trabalhar à noite.
A mesma fonte sublinhou que o estaleiro naval da Onave” é de extrema importância para as actividades de construção naval, reparação e manutenção não só das embarcações de navios de pesca, mas também de navios de recreio e constitui um dos principais pilares que sustenta a actividade das pescas a nível nacional, que é um sector que está em forte crescimento”.
Para Suzano Vicente, é precisamente neste estaleiro que reúne as condições técnicas e logísticas para tais actividades, pelo que é de extrema importância que estas actividades estejam sob a supervisão directa e sob controlo dos armadores. Mas observou que a Apesc não tem a garantia desse controle feito pelos armadores ao se construir marinas e hotéis nesse espaço.
Além disso, segundo Suzano Vicente, o estaleiro naval da Onave oferece outras valências que os estaleiros da Cabnave não tem, tal como a fibragem de botes.
O presidente da Apesc também alegou que a associação e os promotores do projecto discutiram várias vezes, mas chegaram a acordo precisamente porque a Apesc não concorda com alguns aspectos.
O responsável da Associação dos Armadores de Pesca diz estranhar o facto de “a Apesc ter apresentado dois projectos de remodelação do estaleiro naval da Onave à Enapor e nunca ter recebido feedback, mas agora Enapor apresenta um projecto para o local sem levar em conta os dois apresentados pela a Apesc”.
Em 2023, o Governo aprovou e anunciou um financiamento de 17 mil contos para a reabilitação da Onave. Esta decisão surgiu na sequência da visita do então ministro do Mar, Abraão Vicente, ao estaleiro de construção e reparação naval durante a qual “pôde constatar o alto estado de degradação das estruturas”.
Conforme salientou na altura o Governo, no dizer da associação Apesc, que detém uma concessão para gestão do espaço, a Onave precisava de uma “urgente intervenção e reparação nos equipamentos obsoletos e com mais de 40 anos de idade” o que vinham dificultando “os proveitos da sua exploração, colocando-os abaixo do seu Ponto de Equilíbrio Financeiro”.
CD/JMV
Inforpress/Fim.
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