Especialista defende maior valorização dos professores como condição para uma transformação pedagógica

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Especialista defende maior valorização dos professores como condição para uma transformação pedagógica
05/11/26 - 07:25 pm

Cidade da Praia, 05 Nov (Inforpress) – Professor e especialista em educação António Nóvoa defendeu hoje que a valorização da autonomia, formação e iniciativa dos professores é essencial à transformação pedagógica das escolas, propondo um ensino centrado no trabalho, estudo e participação activa dos alunos.

A posição foi defendida durante a mesa-redonda subordinada ao tema “Que transformações pedagógicas para a escola cabo-verdiana?”, realizada no âmbito da Conferência Nacional sobre Educação, sob o lema “Pensar a Educação para Melhor Desenvolver Cabo Verde”.

Para Nóvoa, a principal mudança no sistema educativo passa por deixar de conceber a escola como um espaço onde os alunos se limitam a assistir às aulas, transformando-a num ambiente de aprendizagem activa, reflexão e participação.

“Precisamos de uma escola que seja uma escola do trabalho e do estudo. Não é uma escola onde os alunos vão apenas às aulas”, afirmou, defendendo que os estudantes devem ser envolvidos em actividades que os levem a trabalhar, estudar, ler, reflectir e debater.

Questionado sobre os constrangimentos relacionados com as infra-estruturas, os recursos didácticos e a formação dos professores, o especialista reconheceu a importância destas condições, mas considerou que os docentes continuam a ser o principal elemento diferenciador na qualidade da educação.

“São os professores que contam. O que faz a diferença, verdadeiramente, numa escola e na educação são os professores”, salientou, defendendo maior autonomia e liberdade para que os profissionais possam desenvolver abordagens pedagógicas adaptadas às necessidades dos alunos e às realidades de cada escola.

O conferencista apontou os currículos, os programas, as disciplinas e os sistemas de avaliação como factores que podem limitar a iniciativa dos docentes, defendendo a criação de condições para experimentarem diferentes métodos de ensino e partilharem os resultados.

“Quem disser que tem uma resposta para isso, está a mentir. Nós não sabemos”, afirmou, sustentando que a transformação educativa deve passar pela experimentação, avaliação e partilha de experiências desenvolvidas nas próprias escolas.

António Nóvoa defendeu ainda que a mudança não deve resultar exclusivamente de decisões centralizadas, mas também das iniciativas dos professores e das comunidades educativas.

“Precisamos das coisas que vêm de baixo. E precisamos que quem está no poder, governos e ministros, nos ajudem a criar essas condições para que o que vem de baixo possa nascer, possa crescer e possa expandir-se”, afirmou.

A Conferência Nacional sobre Educação pretende promover a reflexão e o debate em torno dos desafios, das prioridades e das perspectivas futuras do sistema educativo cabo-verdiano, tendo em vista a definição de caminhos para a educação que o país necessita nos próximos 50 anos.

KA/ZS

Inforpress/Fim

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