
Santa Maria, 27 Out (Inforpress) – Os governos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau apresentaram hoje, na ilha do Sal, os seus planos para atingir o acesso universal à electricidade e acelerar a transição energética através da atracção de investimento público e privado.
A intervenção decorreu durante o painel "Energia para o Futuro", enquadrado na segunda edição do Fórum de Investimento da África Lusófona, que debateu estratégias para expandir as redes eléctricas nacionais e ampliar soluções autónomas e mini-redes, alinhadas com a iniciativa M300 do Grupo Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento.
Intervindo no painel, o ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos de Cabo Verde, José Carlos Moniz, sublinhou que o Compacto Nacional de Energia representa um compromisso estrutural com o futuro do arquipélago, visando garantir energia fiável, a preços comportáveis e com menor exposição à volatilidade internacional dos combustíveis.
"Cabo Verde alcançou progressos importantes e a electricidade chega hoje à grande maioria da população, mas persistem desafios e uma forte dependência dos combustíveis fósseis importados", apontou o governante, fixando como meta alcançar o acesso universal à electricidade até 2028 e acelerar o uso de tecnologias limpas para cozinhar.
José Carlos Moniz destacou ainda que o Programa do Governo assume a transição energética como prioridade estratégica, projectando atingir uma participação de 70% de energias renováveis na produção de electricidade até 2031, avançando progressivamente para os 100% até 2040, através da expansão solar, eólica, reforço do armazenamento e modernização das redes.
Por sua vez, o ministro da Energia da Guiné-Bissau, Mário Musante Loureiro, enfatizou que "sem energia não há investimento e sem investimento não há crescimento económico", sublinhando que a falta de autonomia energética acentua a vulnerabilidade do país.
O governante guineense assinalou que a taxa de acesso à electricidade se estimava em 31% em 2025, aproximando-se dos 40% em 2026 impulsionada por projectos regionais apoiados pelo Banco Mundial e pelo Banco Africano de Desenvolvimento.
Contudo, ressaltou que cerca de 75% da energia final provém ainda da biomassa e que as perdas do sistema rondam os 34%.
Para responder a estes desafios, o Compacto Nacional de Energia da Guiné-Bissau mobiliza uma carteira de cerca de 700 milhões de dólares, pretendendo assegurar 280 milhões de dólares através de capital privado (40% das necessidades), com destaque para o primeiro concurso para um produtor independente de energia de 40 MW e o reforço da regulação e do enquadramento legal através das parcerias público-privadas.
A segunda edição do Fórum de Investimento da África Lusófona, promovido pela Corporação Financeira Internacional (IFC) e pelo Grupo Banco Mundial, chega hoje ao fim na ilha do Sal.
O evento de dois dias reuniu líderes governamentais, investidores e parceiros de desenvolvimento dos PALOP para debater a mobilização de capital privado, a transição energética e o reforço das infra-estruturas regionais.
NA/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar