Mia Couto defende papel da imaginação na ciência e desafia jovens a transformar o mundo

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Mia Couto defende papel da imaginação na ciência e desafia jovens a transformar o mundo
22/10/26 - 08:06 pm

Cidade da Praia, 20 Out (Inforpress) – O escritor moçambicano Mia Couto defendeu hoje a importância da imaginação, do pensamento crítico e da esperança na construção do futuro, considerando que a ciência e a literatura partilham a capacidade de transformar o mundo.

Estas reflexões foram apresentadas por videoconferência, no âmbito da Morabeza Científica, uma iniciativa promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), sob o tema “O que sabemos e o que ainda precisamos de imaginar”.

Na sua intervenção, Mia Couto abordou a relação entre a imaginação literária e o pensamento científico, destacando a necessidade de educar os jovens para imaginar, questionar e transformar a realidade.

Questionado sobre o contributo da imaginação literária para que os jovens cientistas africanos encarem a ciência não como uma fórmula rígida, mas como um espaço de descoberta e emancipação, o escritor considerou essencial ultrapassar a separação entre imaginar e pensar.

“Não existe uma coisa sem a outra. Não há pensamento sem essa capacidade de voar e de sair da lógica, de deixar de saber”, afirmou.

Para Mia Couto, a capacidade de questionar o conhecimento estabelecido é fundamental para abrir caminho a novas possibilidades de pensamento, sendo igualmente necessário questionar os fundamentos das ideias que orientam a compreensão da vida e do mundo.

O escritor alertou, contudo, para os riscos de uma visão do futuro dominada pelo medo e pelo desencorajamento, reconhecendo que, embora o mundo enfrente problemas, não considera verdadeira a ideia de que esteja hoje pior do que no passado.

“O mundo não está bem, é certo”, afirmou, acrescentando que é necessário evitar uma perspectiva excessivamente pessimista sobre a realidade.

Neste contexto, apelou aos jovens para que não se deixem dominar pelo medo e participem activamente na transformação da sociedade.

“É preciso que os jovens arregacem as mangas, que se envolvam na luta e que mantenham a esperança para seguirem o seu caminho”, sublinhou.

Por sua vez, a directora local do curso de pós-graduação, Denise Colito, explicou que a Morabeza Científica consiste num ciclo de seminários com encontros semanais e convidados de diferentes áreas do conhecimento.

Segundo a responsável, a iniciativa tem como principal objectivo estabelecer uma ligação entre a sociedade, a cultura, a vida universitária e a ciência.

Denise Colito considerou ainda que a participação de Mia Couto, escritor de renome internacional e biólogo de formação, constitui um exemplo concreto da possibilidade de conciliar diferentes áreas do conhecimento.

Na sua perspectiva, o percurso do escritor demonstra como a ciência e a literatura podem articular-se, aproximando as dimensões científica e humanística do conhecimento.

JBR/JMV

Inforpress/Fim

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