
Cidade da Praia,20 Out (Inforpress) – O presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Paulo Veiga, reconheceu que o partido falhou na comunicação das suas políticas e se afastou das bases, prometendo corrigir as falhas que contribuíram para a perda da confiança dos cabo-verdianos.
Em entrevista à Inforpress, Paulo Veiga, eleito na última convenção do partido, realizada este mês, afirmou que a nova direção assume a responsabilidade pelo percurso da formação política e pretende corrigir as falhas identificadas, com o objetivo de reconquistar a confiança dos cidadãos.
O dirigente sublinhou que Cabo Verde registou crescimento económico e beneficiou de uma situação financeira favorável durante a governação do MpD, mas reconheceu que os resultados não corresponderam às expectativas de uma parte da população.
“Os militantes do MpD, ao me elegerem, escolheram o nosso programa, o nosso projeto para o MpD e para Cabo Verde. Portanto, pensar o país como um grande Estado oceânico, um país com potencialidades, que tem que tirar proveito da sua situação geográfica, do seu posicionamento no Oceano Atlântico, mas também da economia azul e do vasto território marítimo que temos”, afirmou.
Paulo Veiga realçou que, durante a campanha interna, muitos militantes e simpatizantes manifestaram um sentimento de abandono em relação ao partido, considerando que a recuperação da confiança passa pelo restabelecimento da proximidade com as bases e pela garantia de uma maior participação dos militantes na vida partidária.
O novo presidente reconheceu igualmente que o MpD falhou na comunicação, por não ter conseguido explicar devidamente as suas políticas nem transmitir à população os resultados alcançados.
“Não conseguimos explicar as nossas políticas para que pudéssemos ter tempo para o povo sentir os resultados”, afirmou, defendendo que o partido deve estar mais atento às expectativas da população e melhorar a forma como comunica e acompanha os efeitos das suas políticas.
Para o dirigente, é necessário reduzir a distância entre as ambições dos cidadãos e aquilo que as políticas públicas conseguem efetivamente proporcionar.
Entre as medidas previstas pela nova liderança, destacou o reforço da democracia interna, a realização de mais eleições partidárias e o envolvimento das estruturas locais na escolha dos candidatos e na definição das orientações políticas do partido.
Paulo Veiga anunciou ainda a intenção de atualizar os cadernos eleitorais do MpD, cujo último recenseamento, segundo afirmou, foi realizado em 2013. O processo deverá anteceder as eleições para as estruturas de base e os órgãos locais, incluindo as estruturas do partido na diáspora.
A modernização do partido e a aproximação aos jovens constituem também prioridades da nova direção, que defende uma maior utilização das novas tecnologias e das redes sociais, de modo a adaptar a comunicação às novas gerações e a criar oportunidades para que os jovens assumam responsabilidades políticas.
Quanto à atuação do MpD na oposição, Paulo Veiga prometeu uma postura responsável, assente no reconhecimento das medidas positivas do Governo e na apresentação de alternativas sempre que o partido discorde das opções adotadas.
Neste novo ciclo, o MpD pretende reorganizar e modernizar as suas estruturas, reforçar a proximidade com as bases e melhorar a comunicação com a sociedade, com vista a recuperar a confiança dos eleitores e reconquistar espaço político em Cabo Verde.
ET/JMV
Inforpress/Fim
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