
Cidade da Praia, 8 Out (Inforpress) – O ministro da Saúde alertou hoje a população para evitar banhos em barragens e cachoeiras em Santiago, sobretudo nas zonas onde já foram identificados casos de esquistossomose, e anunciou medidas para conter o aumento de casos em São Miguel.
O alerta foi feito durante o período de perguntas ao Governo, no segundo dia do debate parlamentar, em resposta à deputada do PAICV Carla Carvalho, que questionou as autoridades sobre o aumento de casos da doença no município de São Miguel.
Segundo a deputada, a doença registou sete casos em 2022 e tem vindo a aumentar, ultrapassando os 40 casos até Junho de 2026. Carla Carvalho manifestou preocupação com a expansão da doença para além da Ribeira de São Miguel, defendendo uma intervenção mais forte das autoridades de saúde.
“Eu queria saber o que o Ministério da Saúde se prepara para fazer para enfrentar esta doença”, questionou a parlamentar, sublinhando igualmente a preocupação da população de São Miguel.
Na resposta, o ministro da Saúde reconheceu tratar-se de “algo novo” para o país desde 2022 e informou que, neste momento, o número acumulado de casos é de 182, “quase tudo na zona da Ribeira Principal”.
Lúcio Fernandes avançou que estão a ser elaborados spots publicitários para televisão e rádio, com o objectivo de sensibilizar a população para os riscos associados ao contacto com águas potencialmente contaminadas.
O governante aconselhou, particularmente, a população a evitar banhos em barragens e cachoeiras da ilha de Santiago, com especial atenção para as zonas onde já foram identificados casos de esquistossomose.
Segundo o ministro, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e a Direcção Nacional de Saúde estão a trabalhar com a Polícia Municipal e as câmaras municipais para a colocação de placas de sinalização e avisos de interdição de banho nas localidades consideradas de risco.
Lúcio Fernandes informou ainda que Cabo Verde conta com o apoio de especialistas do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, com experiência na área da esquistossomose, para ajudar as autoridades nacionais a enfrentar a situação.
O ministro referiu também que estão a ser analisadas medidas relacionadas com o controlo do hospedeiro transmissor da doença, tendo mencionado a presença de sapos nas ribeiras como um dos elementos a considerar no âmbito das intervenções.
A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo parasita Schistosoma mansoni. A infecção nos seres humanos ocorre quando eles entram em contato com locais em que existam caramujos infectados pelos vermes causadores da doença.
Áreas de água doce e regiões com condições inadequadas de saneamento básico são mais propícias ao desenvolvimento da doença.
Ao entrar em contacto com a água contaminada, as larvas penetram na pele e o paciente pode se infeccionar. Hábitos como nadar, tomar banho ou lavar roupa em águas infectadas aumentam as chances de contágio.
CM/JMV
Inforpress/Fim.
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