
Cidade da Praia, 06 Set (Inforpress) – Mais de 60 artistas açorianos e cabo-verdianos protagonizaram sábado, na Assembleia Nacional, um espectáculo que celebrou as ligações históricas, culturais e humanas entre os dois arquipélagos.
Com casa cheia, o espectáculo, promovido pela Sociedade Recreativa Filarmónica Fundação Brasileira, dos Açores, foi apresentado pela primeira vez em África, no âmbito do “Encontro Musical Açores-Cabo Verde – 50 Anos, Dois Arquipélagos, Um Mar”.
A iniciativa pretendeu celebrar as relações históricas, humanas, culturais e marítimas entre os dois arquipélagos, tendo a organização considerado a apresentação em Cabo Verde um momento “marcante”.
“É com muito entusiasmo que trazemos, pela primeira vez, este espectáculo a África e a Cabo Verde. É um marco que fica registado na nossa memória e no nosso coração. Tem sido uma experiência maravilhosa”, afirmou os promotores do evento.
Segundo a organização, a iniciativa assinala os 50 anos da Autonomia dos Açores, celebrados este ano, e os 50 anos da Independência de Cabo Verde, comemorados em 2025.
“Tínhamos muita vontade de estar cá e foi uma experiência incrível, que ficará marcada eternamente na nossa memória”, acrescentou, destacando que o espectáculo transmite uma mensagem de esperança, paz e união entre os povos.
A organização admitiu que é difícil medir o impacto da iniciativa, devido à emoção vivida durante a apresentação.
“Foi tão grande que é difícil medir. Não esperávamos tanta emoção assim”, afirmou, manifestando a expectativa de acolher uma próxima edição nos Açores e convidar a Associação Sociocultural Gota D’Arte, de Cabo Verde, a participar.
O espectáculo contou com a participação do artista cabo-verdiano radicado nos Açores Jaime Goth, do grupo Raiz di Polon, de bailarinos cabo-verdianos e de artistas e músicos açorianos.
“Sempre quisemos fazer esta fusão entre a música açoriana e cabo-verdiana e foi incrível”, afirmou, destacando também os contactos estabelecidos com escolas de música e instituições cabo-verdianas durante a estadia no país.
O director da Cultura e Economia Criativa da Câmara Municipal da Praia, Adilson Spínola, destacou, por sua vez, a ligação entre Cabo Verde e os Açores, particularmente ao nível da identidade insular, da emigração e das vivências das comunidades.
“Cabo Verde e os Açores têm uma ligação forte na identidade, na insularidade e na imigração”, afirmou, considerando “muito importante” a fusão entre as duas culturas e as respectivas orquestras.
Adilson Spínola realçou ainda que as músicas apresentadas evocaram sentimentos de saudade associados à diáspora cabo-verdiana.
“As músicas que tocaram aqui transmitem-nos a saudade dos que emigraram”, sublinhou.
Com cerca de 90 minutos de duração, o “Encontro Musical Açores-Cabo Verde – 50 Anos, Dois Arquipélagos, Um Mar” combinou a música sinfónica da Orquestra Fundação Brasileira com expressões tradicionais cabo-verdianas.
A produção foi estruturada em cinco actos temáticos, dedicados ao Atlântico e às travessias marítimas, às raízes e memórias culturais, aos 50 anos de afirmação autonómica e nacional, às pontes humanas construídas pela diáspora e aos desafios do futuro relacionados com a sustentabilidade oceânica, a economia azul e a juventude.
O “Encontro Musical Açores-Cabo Verde” insere-se nas comemorações dos 50 anos de Autonomia dos Açores e da Independência de Cabo Verde, sob o lema “50 Anos de Autonomia, 50 Anos de Futuro: Unidos pelo Atlântico”.
DG/JMV
Inforpress/Fim
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