
Mindelo, 15 Jun (Inforpress) – Os mindelenses celebraram hoje com entusiasmo o empate sem golos de Cabo Verde frente à Espanha, classificando-o como “um resultado histórico” na estreia da seleção nacional num Campeonato do Mundo, diante de “uma das melhores do futebol mundial”.
Para muitos adeptos, a exibição dos Tubarões Azuis demonstrou que Cabo Verde tem qualidade, organização e capacidade para competir ao mais alto nível, alimentando a esperança de passagem à fase seguinte da competição.
João Augusto do Rosário classificou o encontro como um momento histórico para o país, marcado pela emoção e pela tensão de enfrentar uma seleção de enorme qualidade.
Segundo afirmou, defender durante quase noventa minutos perante uma equipa ofensiva como a Espanha exigiu uma enorme disciplina tática e uma capacidade de sacrifício que a seleção cabo-verdiana conseguiu demonstrar.
“Confesso que estava céptico quanto à possibilidade de segurar o empate, mas os Tubarões Azuis mostraram que a fé e a disciplina podem contrariar as previsões”, afirmou.
Na sua análise, a estratégia montada pelo selecionador Bubista funcionou na primeira parte, com uma defesa sólida e organizada em bloco baixo, enquanto o guarda-redes Vozinha brilhou ao travar várias oportunidades claras da equipa espanhola.
Acrescentou que, na segunda parte, a Espanha aumentou a pressão ofensiva, obrigando a defesa cabo-verdiana e Vozinha a sucessivas intervenções decisivas.
Destacou ainda a entrada de Lamine Yamal, que trouxe maior perigo ao ataque espanhol, mas considerou que as alterações promovidas por Bubista permitiram manter o equilíbrio da equipa.
Para João Augusto do Rosário, apesar da avalanche ofensiva da Espanha, Cabo Verde resistiu e esteve até perto de marcar em duas ocasiões, o que tornaria o feito ainda mais memorável.
“No final, o empate a zero é um resultado positivo. A primeira participação num Mundial e logo frente a uma das melhores seleções do mundo. Este dia ficará gravado na memória coletiva.
Cabo Verde mostrou que pode competir ao mais alto nível”, afirmou, defendendo agora serenidade e humildade para os próximos desafios frente ao Uruguai e à Arábia Saudita.
Na mesma linha, José Mota considerou que Cabo Verde realizou uma boa partida, contrariando as expectativas de quem previa uma derrota pesada.
“Os cabo-verdianos estavam com medo de sofrer muitos golos, mas mostramos que estamos vivos e impomos respeito. Já mostramos que temos força e vontade de chegar mais longe”, declarou, manifestando confiança de que a seleção conseguirá ultrapassar a primeira fase.
Por sua vez, o emigrante Anildo Monteiro, que afirmou viver há 50 anos fora de Cabo Verde, descreveu o empate frente à Espanha como uma das maiores alegrias da sua vida.
Segundo contou, muitas pessoas esperavam uma goleada, mas a prestação da equipa nacional encheu-o de orgulho e felicidade.
“Estou satisfeito, estou feliz e vou torcer sempre por Cabo Verde. Esta alegria foi tão grande que percorri a zona da Ribeirinha a tocar tambor, sem sequer sentir as dores nos joelhos”, afirmou, celebrando o feito histórico dos Tubarões Azuis.
A seleção cabo-verdiana volta a jogar em 21 de junho, em Miami, frente ao Uruguai, encerrando a participação na fase de grupos cinco dias depois diante da Arábia Saudita.
No outro encontro do Grupo H, Uruguai e Arábia Saudita defrontam-se hoje às 21:00 de Cabo Verde.
CD/JMV
Inforpress/Fim
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