
Cidade da Praia, 03 Nov (Inforpress) - A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) destacou hoje a urgência de uma maior articulação entre profissionais de saúde, instituições sociais e famílias no sentido de garantir cuidados integrados à população idosa, em particular aos cidadãos com dependência funcional.
A posição foi defendida pela presidente do Conselho Pedagógico da Uni-CV, Deisa Semedo, à margem do II Seminário Internacional “Cuidar em rede: Pessoa idosa com dependência funcional e o seu cuidador na comunidade”, a decorrer no campus da Praia, reunindo investigadores de Cabo Verde, Brasil, Portugal e Reino Unido.
Em declarações à imprensa, a responsável apontou a estruturação dos processos de prestação de cuidados como um dos principais desafios do país, alertando que o encargo actualmente recai maioritariamente sobre os agregados familiares.
Nesta perspectiva, a académica preconizou a formalização e o reconhecimento da carreira profissional de cuidador, assim como a actuação multidisciplinar entre enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, médicos e redes comunitárias de saúde para assegurar a autonomia e qualidade de vida da terceira idade.
Deisa Semedo defendeu a partilha de responsabilidades entre os ministérios da Saúde e da Família, em cooperação com as instituições de ensino superior na produção de evidência científica, alertando igualmente para a vulnerabilidade e sobrecarga física, psicológica e financeira dos cuidadores informais.
“Estamos a dar cuidados à pessoa idosa, mas aquele cuidador pode vir a adoecer se não for cuidado”, advertiu, e sublinhou a necessidade de as famílias conhecerem os serviços de apoio disponíveis e saberem onde e quando procurar ajuda.
Por sua vez, o docente e investigador da Universidade de Bragança, em Portugal, Hélder Fernandes, sublinhou que o seminário constitui uma oportunidade para partilhar conhecimentos e reflectir sobre os desafios associados ao aumento da esperança de vida e ao envelhecimento da população.
O especialista português observou que uma das principais dificuldades enfrentadas actualmente pelas pessoas idosas é “preparação para a longevidade” tanto por parte dos próprios indivíduos como dos serviços sociais e de saúde que os acompanham.
Segundo fundamentou, o aumento da esperança de vida requer novas respostas institucionais e estratégias pedagógicas que capacitem os indivíduos, ao longo de todo o ciclo de vida, para uma velhice com maior autonomia e qualidade.
Para Hélder Fernandes, a prevenção e o reforço da literacia em saúde devem constituir prioridades centrais das políticas públicas, capacitando a sociedade para a adopção de hábitos conducentes a um envelhecimento saudável.
CG/CP
Inforpress/Fim
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