
Lisboa, 22 Jun (Inforpress) - O primeiro-ministro de Timor-Leste anunciou hoje, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência atual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau.
"O [período de presidência] 'Pro Tempore' é o período que pertenceria à Guiné-Bissau. Depois da Guiné-Bissau somos nós. Portanto, o próximo somos nós", declarou o primeiro-ministro timorense, Kay Rala Xanana Gusmão, aos jornalistas, em Lisboa, quando questionado sobre o destino da próxima presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Sobre a Guiné-Bissau, que presidiu à organização entre agosto e dezembro de 2025, quando foi suspensa da CPLP, e de outras organizações internacionais, devido ao golpe militar de 26 de novembro, Xanana Gusmão respondeu que a organização se está a esforçar para ajudar o país, mas salvaguardou que respeita o princípio da não-interferência.
"Há o princípio de não-interferência, mas deve haver também o princípio de obedecer, seguir os princípios universais de direitos humanos, da Democracia", declarou o ex-Presidente da República de Timor-Leste.
"Eu não posso dizer quando, mas acredito que os guineenses vão compreender quanto custa a nós perceber e quanto custa a eles viver numa sociedade em que os direitos humanos não são uma regra, uma norma", declarou.
Para o governante, esta é uma "questão complicada" e de difícil previsão.
"O que temos para dizer é que vai haver todo o esforço para podermos ajudar a mudar a situação ali", rematou.
Sobre a morte do ex-Presidente de Timor-Leste Francisco Guterres, respondeu que a única certeza que temos na vida é a morte, apenas não sabemos "quando, onde e como".
Durante a conferência de imprensa que sucedeu à sessão solene com a secretária-executiva, Maria de Fátima Jardim, e representantes permanentes dos Estados-membros junto da CPLP, o líder histórico timorense declarou que esta visita à sede foi ainda mais essencial pelo facto de a organização estar prestes a fazer 30 anos, que se assinalam a 17 de julho.
"Neste aniversário reafirmamos o nosso compromisso com a unidade na diversidade e reforçamos os laços históricos, culturais e políticos que unem os nossos povos de língua portuguesa", referiu, no seu discurso.
"Hoje, tivemos ainda a oportunidade de refletir sobre a importância do multilateralismo, do diálogo e da cooperação para o desenvolvimento dos nossos povos num contexto internacional marcado por incertezas e instabilidade", prosseguiu.
Por fim, referiu que foram abordados temas centrais para os cidadãos lusófonos, em particular a mobilidade no espaço da CPLP, e a vontade em aprofundar a união e cooperação económica, bem como a vontade em fortalecer a cooperação para os oceânos e aproximar a CPLP de outras regiões estratégicas do mundo, particularmente com a região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), de que Timor-Leste faz parte.
A 26 de novembro de 2025, na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas em 23 de novembro, houve um golpe militar na Guiné-Bissau.
A junta militar proclamou o general Horta Inta-a chefe de um Governo de transição de um ano, com eleições previstas para dezembro deste ano.
Na sequência do golpe, a Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP, da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que reclamam o regresso à normalidade constitucional.
O líder do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e ex-secretário-executivo da CPLP (2008-2010), Domingos Simões Pereira, foi detido e está em prisão domiciliária.
A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Inforpress/Lusa
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