
Tarrafal, 24 Jun (Inforpress) – O Simpósio Internacional “Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal” marca o culminar da candidatura a Património Mundial da Unesco e um momento de reflexão sobre o valor universal excepcional do Tarrafal, afirmou a presidente do IPC.
Em declarações à imprensa, Ana Samira Baessa, explicou que o encontro insere-se na fase final de consolidação técnica e científica do dossiê, no âmbito da candidatura do sítio a Património Mundial da Unesco, retomada a 1 de Maio de 2024.
“Desde então temos estado a fazer um trabalho técnico-científico muito profundo, para além da reabilitação do espaço, incluindo a recolha de memórias no sentido de concretizar esta grande ambição do reconhecimento do Campo de Concentração do Tarrafal”, afirmou.
Ana Samira Beassa recordou que o processo esteve condicionado por restrições da Unesco à inscrição de novos sítios de memória ligados a conflitos recentes, o que levou a uma reorganização metodológica da candidatura.
Segundo aquela responsável, o dossiê, avançou entretanto para uma avaliação preliminar da Unesco, realizada em Outubro de 2025, cujo relatório “validou a metodologia e as estratégias” adoptadas, mas deixou recomendações importantes.
“Recomenda maior envolvimento da comunidade e aprofundamento das pesquisas científicas e arqueológicas”, disse, acrescentando que já foram realizadas escavações para identificação de vestígios ligados ao antigo campo.
A presidente do IPC sublinhou ainda que foi feita a delimitação do bem a classificar, que integra não apenas o antigo complexo prisional, mas também outros elementos históricos como a granja, o colonato e a pedreira.
“O objectivo é explicar de forma transversal e abrangente o que o Campo de Concentração do Tarrafal representa não só para Cabo Verde, mas para a história da humanidade”, destacou.
O simpósio reúne investigadores e especialistas de Angola, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique, Brasil, Burkina Faso e Açores, além de académicos e testemunhos de antigos presos políticos.
Durante dois dias, serão debatidos temas como história, memória e direitos humanos, patrimonialização e musealização de sítios de resistência, interpretação e sustentabilidade do património.
O programa inclui ainda um encontro restrito de especialistas no dia 26, dedicado à definição do valor universal excepcional do sítio, etapa decisiva para a submissão do dossiê à Unesco prevista para 15 de Setembro.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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