
Cidade da Praia, 05 Ago (Inforpress) – A Fundação Servir Cinema prepara um programa de exibição de filmes nas comunidades e escolas, procurando democratizar o acesso ao cinema e aproximar públicos da produção cinematográfica, num contexto marcado pela falta de financiamento do sector.
Em declarações à Inforpress, o fundador da “Servir Cinema”, Júlio Silvão, explicou que o programa será desenvolvido em parceria com associações comunitárias, responsáveis pela mobilização das populações para as sessões.
“Vamos realizar o nosso exercício nas comunidades, em parceria com associações comunitárias. Onde as associações comunitárias estiverem disponíveis, realizamos filmes gratuitos”, afirmou.
Segundo o cineasta, a programação deverá contemplar diferentes públicos e não ficará limitada a filmes destinados exclusivamente aos jovens, estando prevista a exibição de obras de carácter geral.
Numa primeira fase, a iniciativa deverá também incluir a realização de sessões em sala, com filmes estrangeiros enquadrados nas parcerias que a Fundação Servir Cinema mantém com outros países.
Júlio Silvão revelou que a programação está a ser preparada para arrancar antes de Dezembro, estando prevista para esse mês uma mostra específica enquadrada nas actividades da instituição.
A mesma fonte salientou, contudo, que a concretização destas iniciativas tem sido condicionada pela escassez de recursos financeiros disponíveis para o cinema em Cabo Verde.
“Nós escrevemos cartas a pedir parcerias. Isso fazemos sempre. Mas nós não vamos correr atrás de ninguém. Quem quiser financiar, recebe a carta e dá a resposta”, declarou.
Para assegurar a realização das actividades, a Fundação Servir Cinema prevê recorrer ao autofinanciamento.
Júlio Silvão explicou que actualmente um dos principais recursos utilizados pela instituição é o valor da sua própria reforma enquanto presidente da Fundação.
A dificuldade de financiamento, segundo o cineasta, também se reflectiu na mais recente Colónia de Férias promovida pela Fundação Servir Cinema, que inicialmente previa a participação de 30 adolescentes e jovens, mas foi realizada com apenas dez participantes, devido às limitações existentes.
A situação evidencia um problema estrutural do sector cinematográfico nacional, segundo a mesma fonte.
“Não há política cinematográfica em Cabo Verde, não há uma estratégia de financiamento em Cabo Verde, pelo menos na área de cinema”, afirmou, acrescentando que tem levado esta realidade a diferentes encontros internacionais ligados ao sector.
O mesmo recordou que durante o último ano participou em iniciativas relacionadas com cinema no Brasil e em Portugal, onde, segundo explicou, o tema do financiamento da produção cinematográfica cabo-verdiana esteve igualmente presente nas suas intervenções.
Apesar dos constrangimentos, mostra-se optimista quanto aos próximos meses e aponta para uma programação mais intensa da Fundação Servir Cinema ainda este ano e no primeiro trimestre de 2027.
Entre os projectos em desenvolvimento está o filme “Padre Tampos”, cuja estreia está prevista para este período.
A obra é uma produção da Silvão Produções Filmes e será enquadrada nas actividades da Fundação Servir Cinema.
Anunciou ainda a preparação de um filme sobre Horácio Silva, cuja edição se encontra em fase avançada.
A intenção é realizar o lançamento ainda este ano ou no próximo, estando a Fundação a ponderar a realização da estreia na ilha do Maio, apontada por Júlio Silvão como a ilha de origem dos pais de Horácio Silva.
“Pretendemos neste ano ou no próximo ano fazer o lançamento do filme Horácio Silva”, avançou.
Com estas iniciativas, pretende reforçar a circulação de obras cinematográficas, criar oportunidades de acesso ao cinema nas comunidades e contribuir para a formação de públicos, ao mesmo tempo que procura desenvolver projectos num contexto marcado pela escassez de financiamento nacional para o sector.
KA/AA
Inforpress/Fim
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