
Tarrafal, 25 Jun (Inforpress) – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) fez hoje um balanço positivo do Simpósio Internacional sobre o antigo Campo de Concentração do Tarrafal, destacando avanços na fundamentação da candidatura do sítio a Património Mundial da Unesco.
Em declarações à imprensa, no encerramento do segundo e último dia de debates científicos e temáticos do simpósio “Museu da resistência do campo de concentração do Tarrafal: salvaguardar a memória, inspirar a humanidade”, realizado no auditório do antigo campo, Ana Samira Baessa afirmou que os trabalhos permitiram uma reflexão aprofundada sobre o património, os processos de classificação e os desafios da gestão patrimonial após o reconhecimento internacional.
Segundo a responsável, as diferentes mesas de debate proporcionaram uma abordagem abrangente das questões ligadas ao valor universal excepcional do sítio, incluindo experiências internacionais de Portugal, Brasil e Burkina Faso, bem como contribuições de técnicos nacionais sobre educação patrimonial e participação comunitária.
A presidente do IPC explicou que a candidatura do antigo campo assenta em três pilares fundamentais: os critérios definidos pela Convenção do Património Mundial, os atributos materiais que sustentam esses critérios e a capacidade de conservação e gestão do bem.
Neste contexto, indicou que a candidatura cabo-verdiana já definiu a integração do critério VI da Unesco, relativo a sítios de memória associados a acontecimentos e conflitos recentes, sustentado por elementos como o complexo prisional intramuros, as antigas casernas dos guardas, a casa do director, a granja, a área agrícola do colonato e os vestígios da “frigideira”, recentemente identificados.
Ana Samira Baessa salientou, contudo, que o principal desafio reside agora na consolidação do terceiro pilar, relacionado com a conservação e o plano de gestão, documento que deverá estabelecer compromissos, responsabilidades e mecanismos de coordenação entre o Estado, o município, a comunidade educativa, as organizações da sociedade civil e demais actores envolvidos.
Durante os debates, acrescentou, foi sublinhada a necessidade de reforçar o conhecimento e a apropriação social do sítio, defendendo-se uma interpretação mais abrangente da memória da resistência, integrando outros espaços associados ao antigo campo, como a cadeia civil da Praia, entre outros locais com relevância histórica.
A responsável destacou ainda a importância da sustentabilidade do processo de classificação, defendendo que o reconhecimento internacional deve traduzir-se em benefícios concretos para as comunidades, através da valorização do território, do reforço da protecção patrimonial e da criação de oportunidades de desenvolvimento local.
Promovido pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do IPC, em parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal, o simpósio reuniu investigadores e especialistas de Angola, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique, Brasil, Burkina Faso e Açores, além de académicos e testemunhos de antigos presos políticos, para debater temas relacionados com memória, direitos humanos, patrimonialização, musealização e sustentabilidade dos sítios de resistência.
Após dois dias de trabalhos, o programa prossegue sexta-feira, 26, com um encontro restrito de especialistas dedicado à definição do valor universal excepcional do sítio, etapa considerada decisiva para a submissão do dossiê de candidatura à Unesco, prevista para 15 de Setembro.
MC/HF
Inforpress/Fim
Partilhar