
Mindelo, 07 Ago (Inforpress) – O grupo de voluntários que cuidava do bem-estar dos cães capturados recentemente pela Câmara Municipal de São Vicente estão agora impedidos de entrar no canil municipal, mas querem que a autarquia e retroceda na decisão.
Em conferência de imprensa hoje, no Mindelo, a porta-voz do grupo, a médico-veterinária Letícia Oliveira fez uma retrospectiva e explicou que no dia 25 de Julho tiveram um encontro com o vereador responsável do canil, no qual foram acordados diversos pontos para uma gestão conjunta do espaço.
Entre as directrizes acordadas ficou decidida a suspensão da apanha de cães, algo, que, segundo a mesma fonte, não foi cumprido pela Câmara Municipal de São Vicente. que continuou a levar animais para o espaço.
“Menos de 24 horas após o diálogo, foram trazidos mais 12 animais para o canil, quebrando assim um acordo feito em reunião”, explicou Letícia Oliveira, referindo-se ao aumento contínuo e que já encheu o espaço “sem condições” com mais de 30 animais, e misturados com sãos, doentes, castrados e não castrados.
A mesma fonte asseverou que o grupo sempre se mostrou disposto a ajudar, inclusive a abastecer com comida e água e limpeza no canil municipal, mas na terça-feira, 06, foram informados pelo funcionário da infra-estrutura que estavam impedidos de entrar no espaço.
“Proibiu também a saída de qualquer animal do canil, o que coloca em causa todo o nosso trabalho feito em prova dos animais capturados”, lançou a veterinária, que, por outro lado, questionou qual será o fim destes cães, uma vez que a câmara “não tem procurado fazer pelo seu bem-estar”.
Por isso, o apelo para que os responsáveis municipais retrocedam e permitam ao grupo de voluntários continuar o trabalho de desparasitação, castração, cuidados de saúde e procura dos donos adoptantes para estes animais que já foram recolhidos.
“A solução escolhida pela câmara não é uma solução justa, não é uma solução sustentável, humanitária e nem agrada a população”, lançou Letícia Oliveira.
Mais ainda, acrescentou, a resolução fere as cinco liberdades do bem-estar animal, como livre de fome e sede, livre de desconforto, livre de dor, livre de sofrimento e doenças, livre para expressar o seu comportamento normal, livre de medo e angústia.
A imprensa procurou contactar o vereador responsável, José Carlos da Luz, mas este alegou estar ocupado em um compromisso e prometeu reagir mais tarde.
LN/AA
Inforpress/Fim
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