
Mindelo, 31 Jul (Inforpress) – A Associação das Mulheres da África Ocidental (RAMAO-CV) e a Organização de Mulheres de Cabo Verde (OMCV), em São Vicente, pedem às organizações internacionais e ao Governo diálogo sobre a problemática e a dignidade da mulher africana.
Este apelo foi feito hoje, em declarações à Inforpress, pela activista e presidente da RAMAO-CV, Josefina Chantre, a propósito de uma 'roda de conversa' realizada nas instalações da OMCV, em São Vicente, em comemoração ao Dia da Mulher Africana.
Segundo Josefina Chantre, que é co-fundadora da OMCV, apesar de fazer hoje 62 anos que foi instituído em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, o Dia da Mulher Africana, faz sentido celebrar este dia pelo “papel importante que a mulher africana tem na construção do planeta”.
Conforme a activista, apesar do "reconhecido esforço" das Nações Unidas e de múltiplos programas sectoriais da ONU, de outras instituições internacionais, poderes públicos que trabalham a temática mulher, com maior engajamento da mulher na política de desenvolvimento, ainda hoje nota-se que “o indicador de performance nesse domínio mantém abaixo do desejado”.
“Ainda no continente africano continuamos a assistir quase que impune as decisões por obrigações religiosas ou culturais, nas crianças e nas jovens, a mulher africana continua a ser violada e raptada, por ocasiões de conflitos armados que tem um pouco por todo o continente, continua também a assistir impune a ida dos seus filhos para combater nas guerras sangrentas, não tem sentido nenhum”, exemplificou.
Conforme a mesma fonte, tem-se verificado mais concretamente na sub-região uma grande debandada de jovens em direcção à Europa, em barcaças, mas que acabam por morrer na trajecto porque são enganados e largados na costa de África e ao largo de Cabo Verde, o que constituiu um flagelo que realmente interpela a todos.
Daí, explicou, a necessidade de continuar a insistir na reflexão sobre as datas importantes do no continente africano para chamar atenção sobre os flagelos que ainda persistem.
“Posso falar ainda também da discriminação de mulheres na África, a liderança feminina ainda é muito incipiente nos domínios económico, político, social e cultural. Temos a epidemia do Sida que atinge maioritariamente mulheres, quer dizer que a mulher merece um destaque e um olhar diferenciado”, avançou ainda.
Apesar desses problemas, adiantou Josefina Chantre, os desafios são enormes, mas as mulheres africanas já conseguiram várias conquistas, tais como a queniana de Wangari Muta Maathai, que foi a primeira mulher ambientalista a receber o prémio Nobel da Paz e a sul-africana Nadine Gordimer, que recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1991 e muitas outras conquistas de mulheres que são fontes de inspiração.
Por causa disso, a presidente da RAMO-CV pediu a toda a sociedade, ao Governo, aos governantes e às organizações internacionais, um esforço maior, maior atenção e engajamento em direccção a problemática da mulher de forma a promover mais diálogo para afirmar e para defender a dignidade da mulher africana.
E é com base nesses aspectos que a RAMAO-CV e a OMCV juntam-se hoje para realizar a roda de conversa com o objectivo de reflectir sobre todas as conquistas e todos os desafios que ainda se colocam na luta e na promoção e dignificação da mulher africana.
“Vamos ter mulheres de diferentes quadrantes, mulheres cabo-verdianas e migrantes, que trabalham na Praça Estrela, e também antigos membros fundadores da OMCV e faremos estas roda de conversa para manter um diálogo neste dia especial”.
Para a delegada da OMCV, em São Vicente, Fátima Balbina, a roda de conversa que será orientada por Josefina Santos é oportuna para reflectir sobre a mulher africana em Cabo Verde e sobretudo para motivar as pessoas a receber com mais humanismo as que chegam do continente.
O dia da Mulher Africana celebra-se a 31 de julho. A sua instituição remonta a esse dia, no ano de 1962 na Conferência das Mulheres Africanas, em Dar-Es-Salaam(Tanzânia). Esta celebração foi reconhecida por um total de 14 países e ainda por oito movimentos de libertação nacional.
Na mesma conferência foi criada a Organização Panafricana das Mulheres cuja meta é discutir o papel feminino em vários problemas/situações do continente africano.
CD/CP
Inforpress/Fim
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