Estigma e receio ainda afastam jovens do rastreio das infecções sexualmente transmissíveis – médica

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Estigma e receio ainda afastam jovens do rastreio das infecções sexualmente transmissíveis – médica
22/06/26 - 07:17 pm

Cidade da Praia, 22 Jun (Inforpress) - O medo, o preconceito social e a falta de confiança no sigilo clínico continuam a dificultar o acesso de adolescentes e jovens ao rastreio e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis, alertou hoje a médica Maria Moreno.

Segundo a especialista, as infecções sexualmente transmissíveis estão a criar barreiras no contacto dos jovens com os centros de saúde e a comprometer o diagnóstico precoce.

“Há aquele receio, aquele prejuízo, aquele preconceito. Infelizmente é na sociedade também que existe esse vislumbre preconceituoso, então as associações têm tido um trabalho um bocadinho dificultado”, afirmou.

Maria Moreno sublinhou que apesar da formação dos profissionais a confiança dos utentes continua a ser “um desafio central”, sobretudo entre os mais jovens.

“Os profissionais de saúde são formados para lidar com a situação, mas cada pessoa é uma pessoa. Se as pessoas têm medo de chegar aos centros de saúde, é por falhas na comunicação e no sigilo também”, referiu.

A médica acrescentou que a perceção de falta de confidencialidade leva muitos jovens a evitar os serviços da sua área de residência.

“Há pessoas, principalmente jovens, que têm receio de que a informação clínica seja divulgada, então acabam por ir a centros de saúde de outras áreas de cobertura”, explicou.

Apesar das dificuldades, vincou o papel das instituições de saúde e das associações comunitárias na prevenção e sensibilização.

“Temos estado a fazer campanhas de sensibilização nas comunidades, nos diferentes municípios, para aumentar a literacia em saúde e prevenir as doenças”, disse.

A médica defendeu ainda a necessidade de maior abertura no debate público sobre saúde sexual e reprodutiva, de forma a reduzir o estigma e aproximar os jovens dos serviços de saúde.

O peso das infeções sexualmente transmissíveis em Cabo Verde continua a ser motivo de preocupação em saúde pública, apesar de a vigilância epidemiológica ainda apresentar limitações na consolidação de dados nacionais completos para todas as infeções.

No caso do VIH, uma das infecções sexualmente transmissíveis mais monitorizadas, estima-se que existam cerca de 3.811 pessoas a viver com o vírus no país, das quais 3.793 já se encontram identificadas, segundo dados do Inquérito Demográfico de Saúde Reprodutiva (IDSR 2024). 

Só no primeiro trimestre de 2025 foram registrados 172 novos casos de infeção por VIH, com maior incidência no município da Praia.

De acordo com estimativas internacionais, a prevalência do VIH em Cabo Verde situa-se em cerca de 0,9 por cento (%) da população entre os 15 e os 49 anos, um indicador considerado relativamente baixo quando comparado com a média de alguns países da região, mas que continua a exigir vigilância e reforço das estratégias de prevenção.

A nível global de saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que Cabo Verde enfrenta desafios comuns a outros países em desenvolvimento, sobretudo na melhoria da notificação e monitorização das infecções sexualmente transmissíveis, incluindo sífilis, gonorreia e clamídia, que tendem a ser subdiagnosticadas devido à procura tardia dos serviços de saúde e ao estigma social associado.

KA/AA

Inforpress/Fim

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