Sindicato pede ao Estado para cumprir acordo com vigilantes e trabalhadores de segurança privada

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Sindicato pede ao Estado para cumprir acordo com vigilantes e trabalhadores de segurança privada
09/12/25 - 02:15 pm

Mindelo, 09 Dez (Inforpress) – O sindicato Siacsa cancelou hoje a manifestação dos vigilantes e trabalhadores de segurança privada, mas pediu ao Estado que seja o primeiro a cumprir o acordo, para que se possa melhorar o pagamento desses trabalhadores.

Segundo Heidy Ganeto, que falava em conferência de imprensa na Praça Dom Luís, as instituições do Estado não pagam um salário digno aos vigilantes e trabalhadores de segurança privada, e isso também serve de motivação para que empresas privadas façam o mesmo.

“O próprio Estado não está a cumprir o Preço Indicativo de Referência que estipula o salário, e é nisso que as empresas de segurança privada estão a pegar para não pagarem um salário digno aos vigilantes. Mais de 60 por cento (%) das instituições que recebem vigilantes são do Estado”, explicou o sindicalista.

Segundo Heidy Ganeto, um exemplo claro disso aconteceu recentemente em São Vicente, em que uma empresa de segurança privada venceu o concurso para colocar vigilantes numa instituição do Estado porque apresentou uma proposta abaixo do preço.

Conforme o sindicalista, as empresas alegam que, se as instituições do Estado não pagarem o preço de mercado, não conseguem cumprir a tabela salarial.

E isso, clarificou, acaba por implicar no salário que os vigilantes e agentes de segurança privada recebem.

“Através do preço de mercado é que as empresas aplicam a tabela, porque nós temos um Acordo Colectivo de Trabalhadores (ACT) que estipula cinco categorias e um salário que vai dos 17 mil à primeira categoria, que são 22 mil e 500 escudos. E, neste momento, estão a aplicar apenas os 17 mil, e nunca há promoções, nem sequer para vigilantes com mais de 30 anos de serviço”, explicou.

O mesmo criticou também as condições de trabalho a que os vigilantes estão expostos, lembrando que muitos trabalham sem casas de banho e não têm como se abrigar do sol ou da chuva.

Questionado sobre a fraca adesão dos vigilantes, que motivou o cancelamento da manifestação, Heidy Ganeto responsabilizou os próprios vigilantes que não aderiram.

“Organizar uma manifestação não é uma coisa fácil, mas nós fazemos o nosso papel, o nosso trabalho de casa, que é levar a informação aos postos de trabalho. Temos os nossos delegados sindicais, que também passam a mensagem nas redes sociais”, finalizou.

CD/AA

Inforpress/Fim

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