
Cidade da Praia, 07 Jul (Inforpress) – O presidente da Agência de Aviação Civil (AAC), Carlos Rodrigues, defendeu hoje, que a saúde aeronáutica deve ser encarada como uma responsabilidade colectiva, sublinhando que a segurança operacional depende do compromisso de todos os profissionais da aviação.
O responsável falava à Inforpress sobre o painel “Certificação Médica e Enquadramento Regulatório”, integrado no programa Fit to Fly, no âmbito das III Jornadas Médicas Aeronáuticas realizadas na cidade da Praia.
Segundo Carlos Rodrigues, o evento teve por objectivo criar um espaço de debate técnico sobre a saúde aeronáutica, reunindo médicos avaliadores, psicólogos, juristas e profissionais da aviação.
Isto para, acrescentou, discutir os desafios que podem comprometer o desempenho dos profissionais com funções críticas na aviação e que são detentores de certificados médicos, como pilotos, tripulantes de cabine e controladores de tráfego aéreo.
"O objectivo é fortalecer a cultura de segurança operacional. A questão da saúde aeronáutica não deve ser vista como uma questão individual, mas sim como uma responsabilidade dentro do sistema da aviação civil”, defendeu.
O presidente da AAC alertou que cada profissional tem um dever para com os passageiros, os colegas de trabalho, os operadores e toda a comunidade aeronáutica, de modo que todas as operações decorram de forma segura.
Entre os principais factores de risco, apontou as doenças cardiovasculares, a fadiga, as perturbações do sono, o stress ocupacional, os problemas de saúde mental e os comportamentos aditivos, sublinhando que qualquer uma destas condições pode influenciar a capacidade de decisão e de desempenho dos profissionais responsáveis pela segurança das operações aéreas.
Carlos Rodrigues considerou que o maior desafio continua a ser a consciencialização individual dos profissionais do sector, reiterando que a saúde aeronáutica não é uma responsabilidade exclusivamente pessoal, mas uma questão que afecta toda a cadeia da aviação civil e, consequentemente, a segurança operacional.
Por seu lado, a médica avaliadora da área de Medicina Aeronáutica da AAC, Lídia Soares, reforçou que um certificado médico válido não constitui, por si só, garantia permanente de aptidão para voar, uma vez que a condição de saúde do profissional pode alterar-se durante o período de validade da certificação.
Segundo explicou, a certificação atesta apenas que o profissional reúne as condições exigidas no momento da avaliação, podendo posteriormente surgir doenças, alterações físicas ou psicológicas, ou outras situações que possam comprometer a segurança operacional.
Lídia Soares salientou ainda que estudos da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) identificam o factor humano como uma das principais causas de acidentes e incidentes aeronáuticos, defendendo que os factores de risco devem ser monitorizados de forma permanente.
ET/HF
Inforpress/Fim
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