
Cidade da Praia, 16 Ago (Inforpress) – A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL retomou o processo de mapeamento dos profissionais e empresas que actuam no sector nos países de língua portuguesa, anunciou hoje a realizadora e cineasta Samira Vera-Cruz.
A informação foi avançada durante um encontro com profissionais e empresas do sector audiovisual, realizado com o objectivo de retomar e actualizar o mapeamento dos profissionais e empresas do sector em Cabo Verde, contribuindo para a actualização do directório online da rede.
Segundo Samira Vera-Cruz, o processo de mapeamento teve início em 2019, mas acabou por ser interrompido devido à pandemia da covid-19, a outros compromissos profissionais e às dificuldades de acesso a financiamento.
O trabalho foi agora retomado na sequência do financiamento obtido pela rede através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.
A responsável explicou que o mapeamento será desenvolvido em duas fases. A primeira consiste na actualização dos dados já recolhidos pela rede, através do contacto com os profissionais anteriormente identificados.
A segunda passa pelo preenchimento de um novo formulário, com o apoio de estagiários que irão trabalhar em cada um dos países abrangidos.
Samira Vera-Cruz explicou que o trabalho está a decorrer em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, enquanto a rede já iniciou contactos para estender posteriormente o processo à Guiné-Bissau e a Timor-Leste.
Relativamente a Angola, a mesma fonte disse existirem maiores desafios, mas manifestou a expectativa de que o mapeamento possa avançar futuramente.
“É muito simples: o mesmo dinheiro que dá muito resultado em Cabo Verde não é suficiente em Angola, porque as nossas realidades económicas são diferentes”, frisou.
Questionada sobre o actual estado do audiovisual em Cabo Verde, Samira Vera-Cruz considerou que o sector está em crescimento, depois de ter passado por um longo período de sobrevivência.
A realizadora destacou o reconhecimento internacional que o cinema cabo-verdiano tem vindo a conquistar, apontando, entre outros exemplos, o prémio conquistado por Yuri Ceuninck no Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), na categoria de melhor documentário, e o trabalho de Denise Fernandes, entre outros nomes.
“Cabo Verde tem-se feito conhecer num panorama internacional pelo cinema”, afirmou, reconhecendo, contudo, que permanecem desafios no sector.
Para a realizadora, o cinema cabo-verdiano está actualmente “para lá da sobrevivência”, resultado do trabalho desenvolvido por vários profissionais e também do surgimento de novos talentos.
“Todos os dias vou conhecendo gente nova que quer fazer cinema, que procura, que tem histórias”, salientou.
É precisamente neste contexto que Samira Vera-Cruz considera fundamental o mapeamento dos profissionais e empresas do sector.
A iniciativa deverá permitir saber quem está a trabalhar em cada área e em cada país, facilitando o contacto, a colaboração e a realização de projectos conjuntos no espaço PALOP + TL.
Depois do mapeamento, Samira Vera-Cruz garantiu que a rede pretende avançar com novas acções de formação.
A primeira está prevista para Agosto, em Moçambique, durante o Festival Kugoma, através de um laboratório de cinema que será posteriormente replicado em Cabo Verde, em Outubro, em parceria com o Kafuka.
O laboratório será especialmente dedicado à elaboração de planos de financiamento e estratégias de distribuição.
Outra das ambições anunciadas pela rede é a sua transformação numa agência capaz de apoiar a distribuição dos filmes produzidos na região.
Além das questões relacionadas com o financiamento, consideradas pela realizadora como um dos desafios do sector, apontou também a falta de formação específica em cinema e audiovisual, bem como as dificuldades de acesso a equipamentos.
Segundo Samira Vera-Cruz, em Cabo Verde existe ainda falta de preparação para concorrer a fundos e outras oportunidades de financiamento.
“Quando não concorremos, o não é garantido. Quando concorremos, talvez dê”, afirmou.
JBR/JMV
Inforpress/Fim
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