Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL retoma mapeamento do sector e prepara novas acções de formação em Cabo Verde

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Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL retoma mapeamento do sector e prepara novas acções de formação em Cabo Verde
17/08/26 - 08:02 pm

Cidade da Praia, 16 Ago (Inforpress) – A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL retomou o processo de mapeamento dos profissionais e empresas que actuam no sector nos países de língua portuguesa, anunciou hoje a realizadora e cineasta Samira Vera-Cruz.

A informação foi avançada durante um encontro com profissionais e empresas do sector audiovisual, realizado com o objectivo de retomar e actualizar o mapeamento dos profissionais e empresas do sector em Cabo Verde, contribuindo para a actualização do directório online da rede.

Segundo Samira Vera-Cruz, o processo de mapeamento teve início em 2019, mas acabou por ser interrompido devido à pandemia da covid-19, a outros compromissos profissionais e às dificuldades de acesso a financiamento.

O trabalho foi agora retomado na sequência do financiamento obtido pela rede através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

A responsável explicou que o mapeamento será desenvolvido em duas fases. A primeira consiste na actualização dos dados já recolhidos pela rede, através do contacto com os profissionais anteriormente identificados.

A segunda passa pelo preenchimento de um novo formulário, com o apoio de estagiários que irão trabalhar em cada um dos países abrangidos.

 

Samira Vera-Cruz explicou que o trabalho está a decorrer em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, enquanto a rede já iniciou contactos para estender posteriormente o processo à Guiné-Bissau e a Timor-Leste.

Relativamente a Angola, a mesma fonte disse existirem maiores desafios, mas manifestou a expectativa de que o mapeamento possa avançar futuramente.

“É muito simples: o mesmo dinheiro que dá muito resultado em Cabo Verde não é suficiente em Angola, porque as nossas realidades económicas são diferentes”, frisou.

Questionada sobre o actual estado do audiovisual em Cabo Verde, Samira Vera-Cruz considerou que o sector está em crescimento, depois de ter passado por um longo período de sobrevivência.

A realizadora destacou o reconhecimento internacional que o cinema cabo-verdiano tem vindo a conquistar, apontando, entre outros exemplos, o prémio conquistado por Yuri Ceuninck no Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), na categoria de melhor documentário, e o trabalho de Denise Fernandes, entre outros nomes.

“Cabo Verde tem-se feito conhecer num panorama internacional pelo cinema”, afirmou, reconhecendo, contudo, que permanecem desafios no sector.

Para a realizadora, o cinema cabo-verdiano está actualmente “para lá da sobrevivência”, resultado do trabalho desenvolvido por vários profissionais e também do surgimento de novos talentos.

“Todos os dias vou conhecendo gente nova que quer fazer cinema, que procura, que tem histórias”, salientou.

É precisamente neste contexto que Samira Vera-Cruz considera fundamental o mapeamento dos profissionais e empresas do sector.

A iniciativa deverá permitir saber quem está a trabalhar em cada área e em cada país, facilitando o contacto, a colaboração e a realização de projectos conjuntos no espaço PALOP + TL.

Depois do mapeamento, Samira Vera-Cruz garantiu que a rede pretende avançar com novas acções de formação.

A primeira está prevista para Agosto, em Moçambique, durante o Festival Kugoma, através de um laboratório de cinema que será posteriormente replicado em Cabo Verde, em Outubro, em parceria com o Kafuka.

O laboratório será especialmente dedicado à elaboração de planos de financiamento e estratégias de distribuição.

Outra das ambições anunciadas pela rede é a sua transformação numa agência capaz de apoiar a distribuição dos filmes produzidos na região.

Além das questões relacionadas com o financiamento, consideradas pela realizadora como um dos desafios do sector, apontou também a falta de formação específica em cinema e audiovisual, bem como as dificuldades de acesso a equipamentos.

Segundo Samira Vera-Cruz, em Cabo Verde existe ainda falta de preparação para concorrer a fundos e outras oportunidades de financiamento.

“Quando não concorremos, o não é garantido. Quando concorremos, talvez dê”, afirmou.

JBR/JMV

Inforpress/Fim

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