
Mindelo, 29 Mai (Inforpress) – O vereador do PAICV na câmara de São Vicente António Sequeira Duarte disse hoje que o presidente Augusto Neves deveria apresentar a sua demissão, perante os resultados das eleições legislativas tal como fez Ulisses Correia e Silva.
Esta declaração foi feita em conferência de imprensa realizada após a reunião camarária em que os vereadores do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) votaram contra as Contas de Gerência de 2025 da Câmara Municipal de São Vicente.
Segundo António Sequeira Duarte, Augusto Neves envolveu-se directamente na campanha legislativa do Movimento para a Democracia (MpD) em São Vicente, assumindo “todas as responsabilidades políticas” durante o processo eleitoral.
“O presidente entrou de férias a 20 de Abril, cumpriu 22 dias de férias e regressou apenas após as eleições legislativas”, afirmou o vereador, sustentando que o edil “abandonou por completo a gestão do município” durante esse período.
De acordo com aquele responsável, Augusto Neves liderou politicamente a campanha do MpD na ilha, participando em todos os actos, desde a composição das listas até ao encerramento da campanha eleitoral.
Perante os resultados alcançados pelo partido em São Vicente, António Sequeira Duarte entende que existe uma ligação directa entre a derrota eleitoral e a actuação do presidente da câmara.
“À semelhança do presidente nacional do MpD, Ulisses Correia e Silva, que se demitiu, entendemos que também Augusto Neves deveria seguir o mesmo caminho e apresentar a sua demissão”, declarou.
O vereador do PAICV afirmou ainda que o desfecho das legislativas demonstrou o descontentamento da população relativamente à gestão autárquica e às promessas anunciadas para a ilha.
“Existe uma grande diferença entre aquilo que é anunciado e aquilo que efectivamente é executado”, concluiu referindo-se aos cartazes colocados em São Vicente por altura da campanha eleitoral com o slogan “São Vicente em obras”.
“Vários anúncios foram feitos, mas a realidade prática é que nenhuma das obras arrancou até hoje”, disse, referindo-se, entre outros exemplos, ao aterro controlado municipal e a obras de asfaltagem anunciadas pelo Governo.
A conferência serviu ainda para o PAICV voltar a manifestar preocupação com as obras em curso na Avenida Marginal, criticando a falta de informações técnicas e de estudos de impacto ambiental.
Segundo António Sequeira Duarte, o partido já alertou para os riscos associados às escavações e movimentações de terras naquela área, defendendo maior transparência relativamente aos projectos em execução.
“As instâncias que devem actuar sobre essas questões já deveriam ter instaurado um processo de avaliação relativamente às peças do projecto”, concluiu.
CD/ZS
Inforpress/Fim
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