
Mindelo, 24 Abr (Inforpress) – Cada país e sociedade devem procurar encontrar recursos e alternativas próprias para a produção de energia, de forma a garantir a segurança energética, defendeu o representante da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Claudino Mendes.
Esta posição foi manifestada à margem de uma conferência sobre energia sustentável que decorre em São Vicente.
Segundo Claudino Mendes, que é coordenador do Programa de Certificação de Competências em Energia Sustentável da CEDEAO, o petróleo tornou-se “um bem escasso”, pelo que “é preciso encontrar alternativas”, porque “tudo está atrelado a esse recurso”.
Isto, explicou, tendo em conta o contexto actual, marcado pela guerra no Médio Oriente, que contribuiu para a subida dos preços dos combustíveis no mercado internacional.
“Sempre que há uma crise energética, fala-se em transição energética. A primeira transição energética ocorreu quando passámos do carvão para o petróleo. Houve então um ‘boom’, com a descoberta de novos recursos e a necessidade de tirar o melhor proveito. Agora, o problema tornou-se o petróleo”, afirmou.
No caso de Cabo Verde, acrescentou, por se tratar de um país insular, com uma economia frágil, é fundamental reforçar a cooperação internacional, tanto ao nível da importação como da adaptação de tecnologias ao contexto nacional.
Claudino Mendes sublinhou que o país dispõe de recursos naturais abundantes, como o sol e o vento, mas carece de uma estratégia e de investimento adequados para tirar o máximo proveito destes recursos.
“O que precisamos, efectivamente, é de uma estratégia e de investimento próprio para conseguirmos aproveitar esses recursos. A cooperação internacional é muito importante para o desenvolvimento de tecnologias adaptadas que respondam às necessidades do país como um todo”, argumentou.
O especialista lembrou ainda que Cabo Verde já definiu metas no âmbito da estratégia energética, mas enfrenta frequentemente incidentes e crises, pelo que considera necessário repensar essas orientações.
“Temos de olhar para esta questão sob várias perspectivas. Não se trata apenas de investir em novas tecnologias renováveis, mas também de sermos mais eficientes, quer nos hábitos domésticos, quer ao nível da construção e da utilização de recursos, que têm impacto económico na nossa vida quotidiana”, considerou.
Para Claudino Mendes, o objectivo final passa por reduzir a dependência dos recursos convencionais e, consequentemente, da flutuação dos preços no mercado internacional.
CD/AA
Inforpress/Fim
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