
Mindelo, 03 Fev (Inforpress) – O PAICV (oposição) questionou hoje o Governo sobre o balanço das intervenções feitas em São Vicente acusando-o de “trocar a governação por apresentações em power point” e fazer anúncios para “encher o noticiário e ludibriar eleitores”.
Em conferência de imprensa, o deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), João do Carmo, criticou o que considerou “estilhaços de propaganda” do Governo do Movimento para a Democracia (MpD).
Segundo o deputado, o Governo e o presidente da Câmara Municipal de São Vicente realizaram uma sessão de duas horas para apresentar um balanço a meio percurso das intervenções feitas na ilha pós-tempestade, que se resumiram a “números e slides bonitos”.
Isto porque, sustentou, basta passar por zonas como Bela Vista, Fonte Inês, Espia e Pedra Rolada para ver que “seis meses depois da tempestade nada aconteceu”.
“O Governo trocou a governação pela apresentação em power point, onde possíveis projectos que dizem respeito à vida colectiva são preparados num laboratório fechado, partilhados apenas com o clique dos afectos e depois lançados como foguetes de festa em ano de eleições”, afirmou.
O deputado apontou igualmente a assinatura de protocolos com instituições do próprio Governo, “numa performance burocrática em que se anuncia solenemente aquilo que é dever de ofício como se fosse uma conquista épica”.
Neste particular, referiu os protocolos assinados pelo primeiro-ministro com o Instituto de Estradas, o Ministério das Infra-estruturas e a Enapor, avaliados em 3,5 milhões de contos, para a drenagem, saneamento e protecção da cidade do Mindelo.
“Quem cuida das infra-estruturas é o Ministério das Infraestruturas, quem cuida de qualquer obra em estradas nacionais é o Instituto de Estradas e quem cuida de qualquer obra nas infra-estruturas portuárias é a Enapor”, exemplificou a mesma fonte, para quem a assinatura desses protocolos “não faz sentido”.
Segundo o deputado do PAICV, o Governo e a autarquia apresentaram um conjunto de planos para a reconstrução de São Vicente. de que nem os próprios eleitos tiveram conhecimento, nem os munícipes, nem os técnicos, tão-pouco os engenheiros e arquitectos da ilha que se dispuseram a apoiar.
Para João do Carmo, apesar do Estado de Emergência declarado na ilha, a campanha de angariação de recursos financeiros deveria ser liderada pelo Governo, mas a envolvência no plano de reconstrução de São Vicente deveria englobar principalmente quem vive e conhece a ilha.
“Não há nada de concreto que possamos dizer que São Vicente ganhou com a actuação deste Governo. Entendemos que, depois da tempestade, a câmara deveria liderar o processo de elaboração de um plano de reconstrução de São Vicente, em que toda a classe política e a sociedade civil são-vicentina deveriam envolver-se”, finalizou.
CD /AA
Inforpress / Fim
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