
Mindelo, 20 Jun (Inforpress) – A delegada da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), em São Vicente, disse hoje que a instituição já produziu e distribuiu 17 mil pensos reutilizáveis para jovens e adolescentes em escolas e comunidades carentes.
Em declarações à Inforpress, Fátima Balbina explicou que esta acção social insere-se no âmbito de um projecto de promoção da saúde menstrual e combate à pobreza
“Já produzimos e distribuímos 17 mil pensos. Cada kit é constituído por cinco pensos, um pedaço de sabão de barra azul, um folheto informativo e também um boletim que distribuímos para jovens e adolescentes”, concretizou.
Segundo Fátima Balbina, a distribuição tem sido feita através das escolas e organizações comunitárias, abrangendo não só São Vicente, mas também Santo Antão.
“Todas as escolas de São Vicente já receberam kits. Distribuímos nas escolas, nas organizações, aqui na OMCV, nas comunidades e também para Santo Antão, através da delegação da Ribeira Grande”, precisou.
A delegada considerou que se trata de um projecto que merece ser valorizado e apoiado, tendo em conta o seu impacto junto das raparigas e mulheres em situação de vulnerabilidade.
Conforme Fátima Balbina, apesar da ausência de financiamento neste momento, a organização continua a desenvolver a iniciativa graças ao apoio de parceiros e ao contributo de uma voluntária portuguesa que se encontra em São Vicente.
“Neste momento não temos mais financiamento, mas continuamos a conseguir fazer isso. Temos uma voluntária portuguesa que trouxe materiais que nos permitem dar continuidade ao projecto”, afirmou.
Segundo a responsável, um dos principais desafios prende-se com a obtenção das matérias-primas necessárias para a produção dos pensos reutilizáveis, uma vez que não estão disponíveis no mercado nacional.
Entre os materiais utilizados estão a flanela respirável e tecido impermeável respirável, considerados essenciais para garantir a eficácia e a segurança do produto.
“São materiais que não existem em Cabo Verde. Temos de os procurar até encontrar e, neste momento, compramos no Porto, em Portugal, porque não os encontramos noutro sítio”, explicou.
Perante esta realidade, Fátima Balbina defendeu a necessidade de mais parceiros e de uma maior sensibilização das instituições para apoiar iniciativas sociais desenvolvidas pelas associações.
“Necessitamos de parceiros e de mais sensibilidade nesta matéria. Graças aos parceiros temos conseguido dar respostas às nossas acções, mas não vemos a vontade das instituições públicas para apoiar as associações que trabalham directamente com as famílias”, lamentou.
A mesma fonte considerou que a falta de apoio institucional acaba por provocar algum desânimo junto daqueles que dedicam tempo e energia a causas sociais.
Mas disse que continua à espera de uma maior valorização deste trabalho por parte das entidades competentes.
CD/AA
Inforpress/Fim
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