
Mindelo, 05 Jun (Inforpress) – A presidente do ICCA disse hoje, no Mindelo, que é preciso uma mobilização conjunta das instituições, famílias e sociedade para reforçar a protecção das crianças e adolescentes e combater eficazmente a violência sexual e a discriminação de género.
Zaida Freitas, presidente do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), falava à margem do fórum municipal realizado sob o lema “A discriminação de género e a violência sexual contra criança e adolescente”.
Trata-se de um encontro promovido no âmbito do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Menores e do Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, assinalados a 04 de Junho.
A presidente do ICCA apelou a uma mudança de mentalidades e ao envolvimento de todos os sectores da sociedade, defendendo a criação de uma “verdadeira barreira de protecção” contra os agressores.
“As instituições do Estado sozinhas não conseguem, a sociedade civil sozinha não consegue e as famílias sozinhas também não conseguem. Cada um de nós tem de fazer a sua parte para proteger as nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
Embora tenha lembrado que os autores dos abusos são adultos, a responsável considerou fundamental que as crianças estejam informadas, preparadas e empoderadas para a sua autoprotecção.
Zaida Freitas alertou igualmente para a “dimensão global do problema”, referindo que “a violência sexual contra crianças e adolescentes é actualmente considerada um problema de saúde pública, devido à sua prevalência e aos impactos duradouros que provoca na vida das vítimas e na sociedade”.
“Encontrar soluções para este flagelo não é fácil, porque estamos perante um fenómeno complexo, resultante de vários factores. Mas nunca é demais reunir parceiros do sistema de protecção e ouvir as próprias crianças e adolescentes para encontrarmos respostas mais eficazes”, frisou.
Por isso, segundo Zaida Freitas, o encontro reveste-se de “extrema importância” por decorrer no mês dedicado à criança e por abordar uma problemática que “exige reflexão profunda”, mas sobretudo “acção concertada parte de todos os intervenientes” do sistema de protecção.
“O fórum tem também o objectivo de descentralizar as nossas acções, que têm sido desenvolvidas em todas as ilhas, e promover uma reflexão conjunta sobre uma temática que interpela toda a sociedade”, afirmou.
A presidente do ICCA destacou ainda a participação significativa de crianças e adolescentes no evento, sublinhando que o fórum foi concebido a pensar nelas e para lhes dar voz.
Entre os participantes estiveram crianças embaixadoras dos direitos da criança e deputados infantojuvenis, que partilharam experiências e apresentaram preocupações relacionadas com a sua segurança e bem-estar.
“Queremos ouvir as nossas crianças e adolescentes para encontrarmos melhores estratégias de intervenção. As questões que nos colocam e os relatos que partilham levam-nos a reflectir e a perceber o que precisamos melhorar urgentemente nas nossas abordagens”, salientou.
O encontro reuniu ainda professores, educadores, psicólogos, técnicos de protecção e outros profissionais que trabalham directamente com crianças e adolescentes.
CD/AA
Inforpress/Fim
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