
Mindelo, 26 Ago (Inforpress) – O sector social em São Vicente mostra-se “bem desafiante”, sobretudo pela dinâmica social e pela nova configuração que as famílias cabo-verdianas estão a assumir, assegurou hoje a ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho.
Adélsia Almeida fez este retrato durante uma visita de trabalho a São Vicente, em contactos com diferentes instituições e projectos sociais, incluindo estruturas de atendimento a vítimas de violência baseada no género, centros de apoio à infância e iniciativas comunitárias.
“Temos um sector desafiante, sobretudo pela dinâmica social, desafiante pela nova configuração social que as famílias estão a ter”, afirmou, com a ideia de ser necessário o Estado reforçar a sua capacidade de resposta perante as novas realidades sociais.
Entre os desafios identificados em São Vicente, destacou a situação de crianças em risco, particularmente as que passam grande parte do tempo na rua.
Conforme a ministra, é necessário articular respostas entre associações comunitárias, organizações religiosas e o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), de modo a prevenir e reduzir situações de vulnerabilidade.
A ministra apontou igualmente a necessidade de reforçar o atendimento às vítimas de violência baseada no género, através da melhoria dos equipamentos e da retoma das redes de atendimento às vítimas em São Vicente, bem como da criação de equipas multidisciplinares capazes de assegurar respostas mais adequadas.
No domínio da infância, anunciou ainda a mobilização de recursos para a reabilitação do Centro Nhô Djunga, espaço que, juntamente com o Centro de Emergência e outras estruturas do ICCA, foi afectado pela tempestade Segunda a ministra, uma avaliação anterior apontou para a necessidade de cerca de 30 mil contos para a reabilitação dessas estruturas, montante que não chegou a ser disponibilizado pelo anterior Governo.
“O actual executivo está a mobilizar os recursos e prevê disponibilizar ainda este ano 50% desse valor para iniciar a reabilitação do Centro Nho Djunga”, garantiu Adélsia Almeida.
A ministra referiu-se ainda ao reforço das respostas sociais através do Fundo Mais, quando está em análise a possibilidade de aumentar a parcela das receitas do Fundo do Turismo destinada a esse mecanismo.
“Cinquenta escudos provenientes do Fundo do Turismo alimentam grande parte dos recursos do Fundo Mais, enquanto 30% do montante é canalizado para instituições e organizações que desenvolvem respostas dirigidas, entre outros, a crianças e idosos”, sustentou.
A intenção, explicou, é aumentar esse valor para permitir ao Estado melhorar as respostas destinadas às crianças, idosos e pessoas com deficiência, num contexto de envelhecimento da população e de transformação das estruturas familiares.
“Nós precisamos também, a nível do Estado, assumir essas respostas através dos fundos e do orçamento”, lançou a ministra.
As visitas da ministra, em São Vicente, continuam esta tarde, para tomar pulso do sector e ver os constrangimentos e as prioridades.
Os contactos estão sendo feitos em missão conjunta com o Representante Residente do Escritório Conjunto do PNUD, Unicef e UNFPA em Cabo Verde, David Matern.
LN/AA
Inforpress/Fim
Partilhar