
Mindelo, 10 Jul (Inforpress) – O director do CNAD afirmou hoje, no Mindelo, que baptizar o pátio da instituição com o nome de Vasco Martins significa honrar e celebrar o mesmo ADN de liberdade e resistência que esteve na origem da Cooperativa Resistência.
Artur Marçal, director do Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD) falava durante a cerimónia de baptismo do Pátio Vasco Martins, realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos da Cooperativa Resistência, fundada em 1976 por Manuel Figueira, Luísa Queirós e Bela Duarte.
Segundo o responsável, a homenagem não representa um novo capítulo na história do CNAD, mas a continuidade dos princípios que deram origem à cooperativa.
“Estamos a honrar e a celebrar o mesmo ADN de liberdade e de resistência que esteve na base da cooperativa e do pensamento de Vasco Martins”, afirmou.
O director do CNAD defendeu que, tal como a Cooperativa Resistência preservou e valorizou o artesanato cabo-verdiano, Vasco Martins fez o mesmo através da música e da poesia.
“O que a cooperativa fez com os teares, com o pano de terra, a pintura e o batique, Vasco Martins fez com a música e com a poesia", disse, acrescentando que o compositor praticou um "acto de resistência cultural" ao introduzir novas linguagens musicais, como a música electrónica e as estruturas sinfónicas no panorama musical cabo-verdiano.
Artur Marçal sustentou que a obra do compositor demonstrou que a tradição não é estática, mas uma força capaz de evoluir e reinventar-se, considerando que Vasco Martins "desenhou o futuro do som cabo-verdiano" ao aproximar a electrónica e a música sinfónica da morna e da identidade das ilhas.
Para o responsável, o Pátio Vasco Martins deverá afirmar-se como um espaço vivo de criação e reflexão, capaz de inspirar artistas, artesãos, designers, músicos e outros criadores a prosseguirem um caminho de inovação sem perderem as raízes.
Por seu turno, a filha do homenageado, Mara Martins, agradeceu a homenagem prestada ao pai e recordou a forte ligação que este manteve com Cabo Verde, afirmando que a sua obra continua viva e permanecerá como fonte de inspiração.
Emocionada, disse sentir a ausência do pai, mas realçou que o legado artístico deixado por Vasco Martins é “profundo e eterno”, razão pela qual continua presente através da música e da influência que exerce sobre sucessivas gerações.
Já o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, António Augusto Sequeira Duarte, manifestou o apoio do Governo à iniciativa, considerando que a atribuição do nome de Vasco Martins ao pátio do CNAD constitui um reconhecimento merecido pelo contributo do compositor para a cultura cabo-verdiana.
O governante recordou que, ainda criança, frequentava a Galeria Nhô Djunga, acompanhando a mãe, e assistia aos concertos promovidos por Vasco Martins após o seu regresso de França, experiências que, segundo afirmou, marcaram a sua formação cultural.
António Duarte considerou que a cerimónia representa "um momento relevante para a história cultural de São Vicente e de Cabo Verde", defendendo que a homenagem perpetua o legado de um dos maiores criadores da música nacional.
O programa incluiu, ainda, actuações musicais protagonizadas pelos filhos de Vasco Martins, uma conversa em torno da vida e da obra do falecido músico e compositor e a estreia do filme The Coriolis Effect.
Filmado em Cabo Verde, The Coriolis Effect é uma meditação cinematográfica sobre a vida, a natureza e as alterações climáticas.
Realizado por Corinne van Egeraat e Petr Lom, em colaboração com Vasco Martins, o filme convida o público a reflectir sobre a relação entre todos os seres vivos e a responsabilidade colectiva de cuidar do planeta.
As comemorações prosseguem no domingo com uma performance musical no arco erigido por Vasco Martins, no Norte da Baía, precisamente no dia em que o compositor completaria 70 anos de idade.
CD/HF
Inforpress/Fim
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