Mindelo, 31 Ago (Inforpress) – Os empresários chineses contabilizaram avultados danos nas lojas, como consequência da tempestade Erin que assolou São Vicente no dia 11 de Agosto, mas mostram-se firmes para continuar e contribuir para o desenvolvimento da ilha.
A devastação foi por toda a ilha e não poupou sequer a comunidade chinesa, representada em cerca de 200 pessoas, e cujos estabelecimentos no centro da cidade do Mindelo, lojas de diversos, drogarias e minimercado, viram os seus investimentos de anos levados pela força das águas.
Em declarações à Inforpress, o presidente da Associação dos Empresários Chineses em Cabo Verde, Paulo Pan, explicou que das cerca de 80 lojas existentes na ilha, foram entre 15 a 16 os estabelecimentos mais prejudicados, especialmente os situados na Avenida 12 de Setembro, Rua d’Coco e Praça Estrela.
“Houve algumas que tiveram invasão de enxurradas no interior com cerca de um metro e meio e com perda total dos equipamentos”, contou Paulo Pan, que indicou o caso de uma drogaria na Avenida 12 de Setembro, que, além de danos na loja, teve ainda no armazém, num total de 70 a 80 mil contos.
Outras contabilizaram perdas de 10 mil contos em materiais, que se tornaram num amontoado de lixo, e nos próprios estabelecimentos que deverão ser totalmente remodelados, inclusive nas instalações eléctricas.
Um cenário de desolação que também prevê uma recuperação lenta, tanto assim é que até hoje, mais de duas semanas após as chuvas, os comerciantes chineses e as suas famílias continuam nas limpezas e arrumações e “numa tentativa titânica de recuperar qualquer coisa”.
“É muito triste ver algo assim. Alguns têm vindo fazer as refeições aqui no meu restaurante e reclamam até de dores nas costas de tanto limpar”, contou Paulo Pan, confirmando que a situação é tão grave a ponto de alguns comerciantes terem pedido apoio a familiares na China.
Como presidente da associação, garantiu que está disposto a ajudar lá onde for possível, mas instou as autoridades cabo-verdianas a “darem uma mãozinha”.
Por exemplo, aliviar o pagamento de impostos e da previdência social por alguns meses, e, mais ainda, estimular os proprietários dos prédios onde estão instaladas as lojas a perdoarem a mensalidade das rendas por algum tempo.
“Com cada um fazendo a sua parte, é possível sim voltar ao normal”, sublinhou Paulo Pan, para quem a palavra desistir não consta do dicionário dos chineses, que querem continuar a contribuir para o desenvolvimento de São Vicente, com “energia positiva”.
Contudo, acredita estar a ilha a precisar de um apoio forte, não somente da comunidade local, mas do exterior, de governos como Estados Unidos da América, Europa e China
“O grande trabalho futuro que deve ser feito, somente a câmara municipal e o Governo, não conseguem dar resposta”, concretizou.
No caso do seu país, confirmou ter sido contactado pelo embaixador em Cabo Verde, que se disponibilizou a articular com as autoridades cabo-verdianas e chinesas os apoios a serem dados nos próximos tempos.
Os estragos por toda a ilha de São Vicente provocados pela passagem da tempestade fizeram o Governo declarar situação de calamidade por seis meses em São Vicente, Porto Novo (Santo Antão) e nos dois concelhos de São Nicolau.
Além disso, foi anunciado um plano estratégico de resposta que contempla apoios de emergência às famílias, mas também às actividades económicas, com linhas de crédito com juros bonificados e verbas a fundo perdido, justificando a decisão com o "quadro dramático, excecional".
O Governo utilizará os recursos do Fundo Nacional de Emergência, criado em 2019 para responder a situações de catástrofes naturais ou impacto de choques económicos externos.
LN/AA
Inforpress/Fim
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