
Mindelo, 05 Jun (Inforpress) – Estudantes do 12.º ano de São Vicente expuseram hoje as dificuldades da prova nacional de Matemática e exigiram a sua repetição, num encontro com o delegado de Educação, que prometeu interceder junto da Direcção Nacional.
O ambiente na manhã de hoje junto da Delegação de Educação, no Mindelo, era de alvoroço com alunos finalistas de todas as escolas da ilha, que quiseram mostrar o seu desagrado perante o “exame muito difícil” aplicado na quinta-feira, 04.
Antes do encontro, o representante da Escola Técnica do Mindelo, Dylan Tavares, assegurou à Inforpress que os objectivos apresentados não condizem com as matérias leccionadas durante o ano lectivo.
“Aplicaram exercícios com um nível de dificuldade que não estamos acostumados a trabalhar”, considerou o estudante, que, no seu caso, mostrou o receio de descer a sua média final e o impedir de se candidatar a vagas e bolsas para estudar Aeronáutica no exterior.
Acredita ser “injusto” ter estudado durante todo esse tempo para ter a sua média na matemática entre 17 e 18 e agora correr o risco de descer para 11 ou 12 com uma prova que tem um peso de 30 por cento (%) na pauta final.
Por seu lado, o representante da Escola Salesiana do Mindelo, Henrique Fortes, admitiu não concordar com o sistema por colocar “numa única prova o resultado de três anos de muito esforço”.
Referiu-se ao caso da ilha do Sal, em que os estudantes pediram a anulação do exame e disse que tal decisão deveria ser estendida a todo o território nacional, tal como a abrangência da prova.
Henrique Fortes admitiu que não teve tanta dificuldade como outros colegas, que até tiveram ataques de pânico, a ponto de serem atendidos nos serviços de saúde, mas reiterou a sua empatia para com todos os finalistas que agora podem ser prejudicados “pela desatenção ou incompetência” de alguns decisores.
“Não é só uma questão de passar, é passar com honra e média para fazermos o nosso curso superior e sermos grandes homens e mulheres do amanhã, dignos e educados”, afiançou.
O delegado de Educação, Jorge da Luz, reuniu-se com um representante de cada uma dessas escolas e após os ouvir garantiu que vai reportar as preocupações, que “parecem ser a nível nacional”, aos seus superiores.
Confirmou que a Direcção Nacional já tem conhecimento do que se passou e por isso, aguarda “uma resposta firme” nos próximos dias.
Também pediu que os estudantes, pais e encarregados de educação e toda a comunidade educativa da ilha aguarde o posicionamento do Ministério de Educação “com tranquilidade” para esclarecer todas as questões levantadas.
No final, os alunos Dylan Tavares e Henrique Fortes consideraram ter sido “ um encontro inconclusivo”, mas mostraram-se satisfeitos com a abertura e sensibilidade manifestadas pelo delegado.
LN/ZS
Inforpress/Fim
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