
Achada Igreja, 17 Set (Inforpress) – O envolvimento da comunidade na identificação de sinais de alerta e no apoio às pessoas em sofrimento esteve no centro do fórum “Falar é prevenir: juntos pela valorização da vida”, realizado hoje em São Salvador do Mundo.
Promovido pelo Centro de Saúde dos Picos, em parceria com o Ministério da Saúde e a Região Sanitária Santiago Norte, o encontro decorreu no salão nobre da câmara municipal, reunindo profissionais de saúde, representantes de entidades locais e membros da sociedade civil para reflectir sobre a prevenção do suicídio.
A iniciativa, integrada nas actividades do Setembro Amarelo, procurou reforçar a sensibilização da população para a importância da escuta, do diálogo e da intervenção atempada perante situações de sofrimento psicológico.
Em declarações à imprensa, a psicóloga do Centro de Saúde de São Salvador do Mundo e membro da organização, Ana da Veiga, defendeu uma maior atenção da sociedade aos sinais de sofrimento, incluindo entre crianças e adolescentes.
“O objectivo do nosso fórum é sensibilizar a população” e promover uma reflexão sobre o sofrimento que está por detrás de comportamentos de autolesão e tentativas de suicídio, explicou, manifestando preocupação com a indiferença que, por vezes, se verifica perante a dor do outro.
Para a psicóloga, a prevenção exige a participação articulada dos serviços de saúde, escolas e famílias, uma vez que o acompanhamento de pessoas com ideação suicida ou comportamentos de risco não deve ficar limitado a um único profissional ou estrutura.
Ana Veiga alertou que existem pessoas que enfrentam pensamentos suicidas sem falar sobre o que sentem ou procurar apoio, defendendo que a comunidade deve estar mais preparada para reconhecer sinais e encaminhar situações de risco.
Por seu turno, o psicólogo clínico Odair Semedo, participante no fórum, destacou a importância de partilhar conhecimentos sobre sinais de alerta menos conhecidos e de incentivar a aproximação às pessoas que possam estar a atravessar momentos difíceis.
“Falar é o primeiro passo”, afirmou, sublinhando que cada pessoa manifesta o sofrimento de maneira diferente e que alguns sinais exigem atenção e uma tentativa de compreender o que está a acontecer.
Entre os exemplos mencionados, referiu mudanças no comportamento digital, como o desaparecimento repentino de pessoas que anteriormente mantinham uma comunicação frequente nas redes sociais. Ressalvou, contudo, que os sinais devem ser compreendidos no contexto de cada pessoa.
Já a coordenadora nacional da Saúde Mental, Ana Moniz, enquadrou o fórum nas acções de promoção da saúde mental e prevenção do suicídio, desenvolvidas durante o Setembro Amarelo.
A responsável salientou que a prevenção não é apenas uma responsabilidade do Ministério da Saúde, mas de toda a sociedade, defendendo o reforço da capacitação comunitária para identificar sinais de alerta, encaminhar pessoas e combater o estigma associado à procura de apoio psicológico e psiquiátrico.
Segundo Ana Moniz, o Ministério da Saúde tem apostado em acções de literacia em saúde mental, palestras nas escolas e comunidades, capacitação de líderes comunitários e formação em primeiros socorros psicológicos.
A coordenadora sublinhou ainda a importância de procurar ajuda precocemente, envolvendo os serviços de saúde, as escolas e as famílias, para garantir acompanhamento e apoio às pessoas em sofrimento.
MC/HF
Inforpress/Fim
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