
Ribeira Brava, 02 Jul (Inforpress) – O projecto Eco Raízes iniciou hoje uma formação sobre ecossistemas marinhos, com foco nas tartarugas marinhas, para capacitar guias e operadores turísticos de São Nicolau, reforçando conhecimentos sobre conservação e valorização sustentável da biodiversidade da ilha.
A acção formativa, que decorre durante dois dias, integra um conjunto de três formações previstas pelo projecto Eco-Raízes e visa dotar os participantes de conhecimentos sobre os ecossistemas marinhos, as tartarugas, aves marinhas, cetáceos e outras espécies presentes em São Nicolau.
Em declarações à Inforpress, o representante pelo projecto Eco-Raízes, Arnaldo Felisberto, explicou que a iniciativa pretende preparar os profissionais ligados ao turismo para prestarem um serviço de maior qualidade, aliado à preservação do património natural.
“O objectivo é preparar não só os guias de turismo, mas também taxistas, outros agentes turísticos e pessoas ligadas ao sector, para que estejam mais informados sobre a conservação das tartarugas marinhas, os seus ciclos de vida e outras espécies, permitindo prestar um melhor serviço aos visitantes”, afirmou.
Segundo aquele responsável, a formação resulta da convicção de que a valorização turística dos recursos naturais depende do conhecimento e da sua conservação.
Arnaldo Felisberto considerou que São Nicolau dispõe de um património natural “riquíssimo”, realçando o potencial do ecossistema marinho como produto turístico, mas advertiu que esse potencial só poderá ser aproveitado de forma sustentável se houver uma forte aposta na preservação.
Nesse sentido, apontou o trabalho desenvolvido no Parque Natural do Monte Gordo como um exemplo dos esforços de conservação já existentes na ilha, defendendo, contudo, que as acções devem ser alargadas às zonas costeiras e marinhas, numa altura em que se fala cada vez mais da economia azul.
A mesma fonte reconheceu que São Nicolau ainda recebe menos atenção do que outras ilhas em matéria de projectos e financiamentos para a conservação das tartarugas marinhas, devido à menor pressão turística e ao reduzido número de praias de desova, mas considerou que essa realidade representa também uma oportunidade para preparar melhor o destino antes de um eventual aumento do fluxo turístico.
“A ilha ainda está relativamente preservada e isso dá-nos tempo para fazer as coisas da forma correcta. É importante envolver as autarquias, as instituições e a sociedade civil para garantir que este património natural continue protegido”, sustentou.
Para Arnaldo Felisberto, investir na formação dos profissionais do turismo constitui um passo essencial para sensibilizar os visitantes e promover um turismo responsável, contribuindo simultaneamente para a conservação da biodiversidade.
Os participantes na formação consideraram a iniciativa positiva, destacando o reforço dos conhecimentos sobre o ecossistema marinho da ilha e a importância das novas informações para melhorar o atendimento aos turistas.
WM/ZS
Inforpress/Fim
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