
Calheta, 15 Ago (Inforpress) – O Festival da Praia de Calhetona em São Miguel rompeu a madrugada ao ritmo de Garry, viu o sol nascer com os Tabanka Djaz e encerrou a primeira noite com Tikai, numa maratona musical que atravessou gerações.
A primeira noite do certame musical, integrado nas festividades da cidade de Calheta e da sua santa padroeira, Nossa Senhora do Socorro, começou ainda antes da 01:00, com Chando Graciosa a dar o pontapé de saída às actuações.
No palco de Calhetona, pela segunda vez, o artista apresentou um repertório diversificado e procurou desde cedo estabelecer uma relação próxima com o público, que, embora ainda não tivesse aderido em massa, respondeu às suas brincadeiras e interacções.
À Inforpress, Chando Graciosa fez um “balanço positivo da actuação” e revelou que prepara os 45 anos de carreira, com dois novos trabalhos, ainda sem data de lançamento definida, nos quais pretende recuperar o Chando de “30 e tal anos atrás”.
Depois foi a vez do talento da casa Ghomas CV, seguindo-se Márcia Cruz, por volta das 02:00, jovem micaelense que regressou ao palco pela quarta vez e foi a única mulher a integrar o cartaz da primeira noite.
Feliz pelo convite, a artista lamentou, contudo, a pouca presença feminina no programa, defendendo um maior equilíbrio. Sobre a actuação, destacou a resposta do público, que se aproximou do palco logo que começou a cantar.
A seguir, Buguin Martins estreou-se no palco de Calhetona e rapidamente conquistou o recinto. O repertório misto levou o público a cantar, dançar e fazer coro em vários temas, numa recepção que o artista considerou “muito gratificante”.
Buguin Martins anunciou ainda para o dia 29 o lançamento do seu novo álbum, com vários convidados, garantindo que continuará a trabalhar para dar continuidade à sua carreira.
Os jovens micaelenses Soudjas também tiveram oportunidade de apresentar o seu trabalho ao público, seguindo-se Loss Jr., antes de a madrugada ganhar outro ritmo com a entrada de Garry.
Por volta das 05:00, ao som de “Perfeita”, Garry surgiu em palco e levou o público ao rubro. “Nha Love”, “Flam si ta da”, “Anjo”, “A deriva”, “Tão bom” e “Bambado” fizeram parte da viagem por alguns dos sucessos do artista.
No final, Garry deixou o palco para se aproximar ainda mais dos seus admiradores. Apesar das restrições de acesso aos camarins, o cantor foi ao encontro dos fãs no areal, onde tirou fotografias e interagiu com o público, enquanto a madrugada dava lugar ao dia.
E foi já com o sol “bem arregalado” que os Tabanka Djaz subiram ao palco. A esta altura, grande parte da juventude que acompanhou os artistas anteriores já tinha deixado o recinto, mas uma outra geração permaneceu para cantar e dançar ao som dos clássicos do grupo.
Mikas Cabral, vocalista e guitarrista principal dos Tabanka Djaz, classificou o espectáculo como “incrível” e destacou a satisfação de ver que, após 38 anos de carreira, o grupo continua a ter público.
Segundo o músico, os Tabanka Djaz estão a ponderar lançar novas músicas ou um CD, mas reconheceu que existe uma ligação forte entre o grupo e os temas que marcaram a sua história, como “Sub 17”, “Foi Assim” e “Tira Mão da Minha Chucha”.
“Essa é a marca dos Tabanka”, sublinhou, defendendo que, independentemente de novos trabalhos, os temas mais conhecidos continuarão a ser pedidos pelo público.
Minutos antes das 09:00, Tikai assumiu a missão de fechar a maratona musical, encerrando uma noite que começou ainda com o público a chegar timidamente e terminou com o sol já alto sobre Calheta.
A prestação dos artistas e a organização receberam avaliação positiva dos festivaleiros, que, contudo, apontaram os intervalos entre as actuações como um dos aspectos a melhorar. Pois, a falta de animação durante algumas trocas acabou por criar momentos de espera e quebra do ritmo da festa.
Ao amanhecer, equipas de saneamento já estavam no recinto para recolher os resíduos deixados pelos festivaleiros, para manter assim o local organizado.
A nível de segurança, a Polícia Nacional informou que a noite decorreu na normalidade.
Para o segundo e último dia estão previstas as actuações de Nelson Freitas, Mário Lúcio, Rods Wires, Neyna, Elji, Su Boss, entre outros.
O festival integra um programa mais amplo das festividades da cidade de Calheta, que incluiu actividades desportivas, culturais, recreativas, religiosas e inaugurações.
As celebrações têm hoje o seu ponto alto, 15 de Agosto, com a missa solene em honra da santa padroeira, Nossa Senhora do Socorro.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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