
São Filipe, 08 Jan (Inforpress) – A Câmara Municipal de São Filipe vai erguer um monumento de “grande dimensão” no antigo repuxo da rotunda de Lém como forma de homenagear os emigrantes foguenses pela sua contribuição socioeconómica e cultural.
O projecto da transformação do repuxo de Lém, no acesso ao aeródromo de São Filipe, foi socializado na quarta-feira, 07, no edifício do Paços do Concelho.
Segundo o presidente da autarquia de São Filipe, Nuías Silva, a transformação do repuxo e da própria rotunda é para tornar o espaço “mais dinâmico” e a escolha da rotunda deve-se à sua localização estratégica, situada no caminho para o aeródromo de São Filipe, principal porta de entrada e saída da ilha.
“É um ponto de partida, mas também de chegada, e por isso entendemos que ali deveria existir um monumento em homenagem aos emigrantes”, concretizou o autarca.
O monumento, concebido e executado por artistas locais, terá duas perspetivas simbólicas, de um lado representará a chegada e, do outro, a partida, refletindo o percurso migratório de milhares de foguenses, sobretudo para os Estados Unidos da América, sem deixar de contemplar outros destinos da diáspora foguense e cabo-verdiana.
A decisão de erguer o monumento surgiu da necessidade de valorizar e embelezar a rotunda, cuja infraestrutura existente, embora funcional, carecia de “maior impacto visual”.
A obra deverá estar concluída e pronta para inauguração em Abril próximo.
O monumento, que representa uma família, um homem, uma mulher e uma criança com dimensões de 2,20 metros, 2,00 metros e 1,5 metros de altura, respectivamente.
A estátua comportará ainda uma maleta, que será erguida num pedestal feito à base de concreto retangular com 2,4 metros de comprimento, por 1,20 de largura e 2,5 metros de altura.
Assim o monumento terá na sua totalidade cerce de 5 metros de altura e será iluminado de base ao topo.
Representa um investimento que ronda os 1.300 contos e será construído com materiais locais e por artistas de São Filipe com reconhecida experiência na criação de obras deste género na ilha do Fogo, nomeadamente Mário Barbosa, Paulo Pina e Marcelino Henriques.
Para Nuías Silva, o projecto representa igualmente um sinal de valorização dos talentos locais e resulta de uma forte parceria entre a câmara e os artistas envolvidos.
A iniciativa insere-se numa visão mais ampla de organização e valorização urbana em que as rotundas são espaços de apresentação da cidade e quando estão desorganizadas, transmitem a ideia de desordem.
O projecto está integrado numa iniciativa mais ampla denominada Beltches+ CulTurArte e na construção da ciclovia e pedonal que liga rotunda de Lém, aeródromo e o bairro III Congresso.
Depois de rotunda de Lém, outras rotundas, nomeadamente de Beltches, Cobom e Congresso, serão alvos de requalificação e homenagem à semelhança do que aconteceu com Xaguate e Cruz dos Passos.
JR/AA
Inforpress/Fim
Partilhar