
São Filipe, 02 Mai (Inforpress) – O emigrante foguense Manuel Avelino Rosa, residente nos Estados Unidos da América há 43 anos, regressou este ano à ilha, destacando as “profundas mudanças” registadas na cidade de São Filipe desde a sua partida.
Natural do concelho dos Mosteiros, mas criado em São Filipe, Manuel Avelino contou que passou mais de quatro décadas sem visitar a terra natal, situação que, segundo disse, em tom de brincadeira, levou amigos a afirmarem que “já precisava fazer um novo registo de nascimento” devido ao longo tempo de ausência.
“Gostei muito. São Filipe está muito diferente, mais bonita [cidade], com mais construções, muitos carros, um contraste enorme com a altura em que emigrei, quando os poucos veículos existentes podiam ser contados pelos dedos de uma mão”, afirmou.
Há cerca de duas semanas na ilha, o emigrante reconhece que ainda está em fase de adaptação, referindo que, à chegada, tudo lhe parecia desconhecido.
No entanto, já consegue orientar-se em alguns pontos estratégicos, como a avenida Amílcar Cabral, a zona do Presídio e o antigo posto policial, cujo nome verdadeiro é Fortim Dona Carlota Joaquina.
Apesar disso, admite que ainda sente dificuldades em circular no interior da cidade.
“Se me colocarem no meio da cidade, não sei bem para onde ir”, confessou, apontando “mudanças significativas” em zonas como Santa Filomena, Xaguate e no acesso ao aeródromo, hoje marcadas por novas construções e infra-estruturas.
Manuel Avelino destacou também a melhoria das estradas, sublinhando que, no passado, havia apenas um acesso aos Mosteiros, mas que actualmente existem ligações facilitadas para outras localidades, como Campanas.
Quanto ao futuro, garantiu que pretende regressar com maior frequência, mas fora do período das festividades de São Filipe, para melhor apreciar a ilha.
“Agora há muito movimento por causa das festas. Quero voltar numa altura mais calma para desfrutar melhor”, disse.
O emigrante explicou que a ausência prolongada deveu-se, em parte, à redução dos laços familiares na ilha e ao passar dos anos, mas recordou com emoção um irmão já falecido que o incentivava constantemente a regressar.
“Tínhamos tudo planeado para vir, ele até prometeu a passagem, mas acabou por falecer num acidente”, contou.
Durante a sua estadia, Manuel Avelino participou nas festividades e aproveitou para reencontrar antigos amigos, muitos deles colegas de juventude e da equipa Juventude.
Entre os reencontros, destacou nomes como Fausto do Rosário, Roque Silva, Catchopa, Lixoca, Luisim e Correia.
“Alguns já não reconheci de imediato. Uns estão sem cabelo, outros com cabelo branco. Em 43 anos as pessoas mudam muito”, observou, acrescentando que, apesar disso, o reencontro foi marcado por alegria e nostalgia.
“Foi muito bom, deu para matar saudades e desfrutar do clima”, concluiu, reafirmando a intenção de voltar todos os anos à sua terra natal.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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