
Ribeira Grande, 07 Ago (Inforpress) – O casal de idosos Joana Delgado, 77 anos, e Manuel Cabral, 80 anos, reclamou da falta de luz e água canalizada na localidade de Astragas, que fica a poucos quilómetros da cidade da Ribeira Grande, Santo Antão.
Joana Delgado e Manuel Cabral, à Inforpress, disseram que apesar de enfrentarem uma vida marcada por desafios e isolamento, mantêm viva a esperança de dias melhores.
Em sua casa simples, com uma vista serena para o vale da Ribeira da Torre e a Costa Leste, a matriarca explicou que ela e o marido enfrentam uma rotina diária repleta de obstáculos.
A falta de água canalizada obriga-os a depender de um autotanque, cuja manutenção custa sete mil escudos, um valor que segundo Joana Delgado nem sempre conseguem reunir.
“Quando o tanque está vazio precisamos buscar água em outros lugares, o que é um esforço grande para nós, pois já nem consigo carregar uma botija de água de cinco litros”, relatou Joana Delgado, com um olhar cansado, mas cheio de resiliência.
A situação desse casal é ainda mais complicada à noite, pois, sem eletricidade, Joana Delgado disse que ela e o marido recorrem a velas para se iluminarem.
“Acendemos velas, mas é perigoso. Não temos outra forma de iluminação", explicou Joana Delgado, que admitiu que o risco de incêndio é uma preocupação constante.
Embora possuam um motor que poderia ajudar na geração de energia, segundo a mesma fonte o custo elevado do combustível torna essa solução inviável.
“Esqueceram de nós. Já nos fizeram tantas promessas durante as campanhas políticas, mas nada mudou por aqui”, criticou.
Conforme Joana Delgado, a falta de infra-estrutura básica tem um impacto direto na qualidade de vida dela e do marido, que se sentem “abandonados” pelas autoridades.
A mesma fonte disse que o desejo mais simples do casal é poder assistir televisão para se conectar com o mundo externo.
"Sonhamos em ver as notícias, saber o que está acontecendo fora daqui. Isso nos ajudaria a nos sentirmos menos isolados. Até temos uma televisão, mas do que adianta tê-la e não ter luz para ligá-la”, exteriorizou a matriarca.
Entretanto, em meio de tantas dificuldades, Joana Delgado isse que ainda há uma esperança de dia melhores, pelo que o casal aguarda ansiosamente o dia em que Astragas será iluminada e sua condição de vida melhorada.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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