
Ribeira Grande, 29 Abr (Inforpress) – O projecto “Conhecer para intervir”, desenvolvido pela psicóloga educacional Andreza Fortes, está a actuar em escolas do concelho da Ribeira Grande (Santo Antão) com ações de educação sexual, emocional e proteção contra o abuso de crianças e adolescentes.
Criado em 2019 e reformulado em 2024, o projecto, segundo a mentora, visa dotar os alunos de conhecimentos que lhes permitam identificar emoções, compreender o funcionamento do corpo e reconhecer situações de risco.
Este ano, segundo Andreza Fortes, o foco estendeu-se também a professores, com a realização de oficinas e palestras em escolas como no Coculi e na Ponta do Sol.
“A colaboração com professores tem sido fundamental, já que o horário nem sempre permite o contacto direto com os pais”, explicou Andreza Fortes, acrescentando que o projeto é adaptado à disponibilidade dos alunos, com apoio ao estudo especialmente para os estudantes do 5.º e 6.º anos.
Entre as actividades desenvolvidas, segundo a mesma fonte, estão oficinas sobre educação menstrual, autoestima, conhecimento do corpo e inteligência emocional.
A oficina “As minhas emoções”, conforme Andreza Fortes, foi aplicada na escola da Ponta do Sol e foi apontada pela especialista como um espaço onde os alunos podem “compreender as suas emoções e aprender a lidar com as dos outros”.
Segundo a psicóloga, durante o trabalho de campo já foram identificados casos de abuso físico, maioritariamente no seio familiar, e em situações dessa natureza os casos são encaminhados para o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) e ao Ministério Público.
“O projeto actua também na denúncia e na proteção efetiva de crianças em situação de risco”, afirmou.
Apesar de limitações logísticas, a iniciativa tem sido “bem-recebida nas escolas” e, para o futuro, Andreza Fortes pretende expandir o projeto para zonas mais remotas e incluir alunos do 1.º ao 4.º ano.
“Há uma necessidade clara de chegar a comunidades mais distantes, onde a informação ainda é escassa e certos abusos são vistos como normais”, alertou.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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