
Ribeira Grande, 06 Mar (Inforpress) – Moradores de Celada de Boa Ventura e Quanza, em Boca de João Afonso, Santo Antão, denunciaram hoje um cenário de "abandono e desespero", com a falta de água e iluminação pública a colocar em risco a segurança da comunidade.
As zonas de Celada de Boa Ventura e Quanza, localizadas em Boca de João Afonso, Ribeira Grande, Santo Antão, enfrentam dificuldades relacionadas à escassez de água e à inexistência de iluminação pública. Ao longo dos anos, os moradores têm denunciado a falta de soluções por parte das autoridades responsáveis, o que tem alimentado uma crescente sensação de "abandono".
Várias famílias dessas localidades afirmam que têm sido "obrigadas" a percorrer longas distâncias para garantir o mínimo necessário de água para o consumo.
Cibele Medina, residente em Celada de Boa Ventura, relatou a penúria que a sua comunidade enfrenta.
"Moro em Celada de Boa Ventura, lá temos quatro casas e há vários anos que vivemos na miséria de não ter água nas torneiras", afirmou.
A moradora contou que, apesar das várias tentativas de contacto com as autoridades, incluindo o responsável pela água e saneamento, pouco tem sido feito para resolver a situação.
"Sempre que vamos lá, ele promete resolver, mas o que chega em nossa casa é apenas vento. E todos os meses, a factura chega com valores exorbitantes de seis mil escudos, mesmo sem termos água," salientou.
A situação é ainda mais "dramática", segundo a mesma fonte, quando se observa a mobilização necessária para conseguir água.
"Temos que nos deslocar até Ponta de Rua, em Figueiral, para carregar um pouco de água para o consumo", afirmou.
Na localidade de Quanza, Maria da Luz Dias partilhou uma experiência semelhante, embora com as suas próprias dificuldades. A moradora explicou que, por viver numa zona alta, a água que deveria chegar à sua casa nunca é suficiente.
"Quando enviam água, ela não chega aos depósitos da minha casa. Sou uma das esquecidas", disse, acrescentando que, durante a época eleitoral, os políticos sobem à zona com promessas de resolver a escassez do precioso líquido, mas nunca cumprem.
Segundo Maria Dias, em algumas zonas da localidade, a água até chega, mas as condições de fornecimento são "limitadas e desorganizadas".
"Ribeirão tem um furo, abrem a água para o abastecimento de oito em oito dias, às 08:00, e fecham antes das 09:00, com a justificativa de que têm que enviar a água para rega", relatou.
Além disso, conforme a mesma fonte, as tentativas de contactar as autoridades, como o delegado municipal e o responsável pela água e saneamento do concelho, têm sido "frustrantes", já que o delegado municipal não atende os telefonemas nem retorna as chamadas.
O clima de insatisfação é “palpável”, e a falta de água tem levado a tensões crescentes nessas localidades, conforme Maria Dias.
"Estamos a sofrer. Se eu voltar para cima, posso prejudicar os outros moradores, mas também corro risco de vida, pois a escassez de água pode levar a conflitos entre os vizinhos, uma situação que pode resultar em graves consequências para todos," alertou.
O problema da água não é o único que aflige os moradores de Celada de Boa Ventura e Quanza. A falta de iluminação pública nas duas localidades tem gerado uma sensação ainda maior de insegurança.
Gisiane Monteiro, moradora de Quanza, revelou que a situação é particularmente "perigosa" para ela, uma vez que trabalha por turnos.
"Quando trabalho à tarde, regresso à casa à noite e tenho que percorrer um longo caminho no escuro, porque não há iluminação pública. É muito arriscado," explicou.
O medo de acidentes ou de situações de violência, segundo Gisiane Monteiro, é constante, e a empresa responsável pela iluminação pública continua a cobrar taxas pela iluminação que não existe.
"Pedimos que alguém venha resolver os nossos problemas, pois não podemos continuar a ser abandonados à nossa sorte, onde cada um faz o que quer," apelou.
A Inforpress tentou contactar o responsável pela água e saneamento, mas tal não foi possível até o fecho da reportagem.
No entanto, uma fonte da mesma empresa informou que estão na fase de transição para a empresa Águas de Santo Antão (ADSA).
LFS/ZS
Inforpress/Fim
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