
Cidade da Praia, 07 Jul (Inforpress) - Uma rede de 60 líderes comunitários vai passar a utilizar telemóveis para vigiar e antecipar surtos e crises de saúde pública na ilha de Santiago, anunciou hoje a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).
Os resultados do projecto-piloto denominado “Guardiões da saúde”, coordenado pelo INSP, revelaram uma eficácia sem precedentes na detecção precoce de riscos humanos, animais e ambientais, segundo avançou Maria da Luz Lima, em declarações à imprensa na cidade da Praia.
O estudo comparativo, que decorreu durante dois anos entre a ilha de Santiago e o Distrito Federal de Brasília (Brasil), contou com o apoio financeiro e técnico da London School of Hygiene & Tropical Medicine, através da sua equipa de resposta rápida a emergências de saúde. A iniciativa deverá ser implementada a nível nacional ainda este ano.
A mesma fonte explicou que, ao contrário do modelo tradicional passivo, que depende de notificações quando o doente já se desloca a uma estrutura de saúde, o novo processo inverte o fluxo. os líderes detectam os problemas no terreno através de uma aplicação de telemóvel.
“Os alertas são recebidos por pontos focais nos serviços de saúde (médicos e veterinários), que validam a situação e dão o devido seguimento”, afirmou a presidente do INSP.
A ilha de Santiago foi a escolhida para a fase experimental devido à sua diversidade geográfica, que engloba ambientes rurais e urbanos ao longo dos seus nove concelhos, o que, na opinião de Maria da Luz Lima, confere uma amostra real da eficácia do sistema.
De acordo com o INSP, os resultados revelaram uma aceitação absoluta: 100% dos gestores de saúde entrevistados consideraram a proposta inovadora e defenderam o seu alargamento a todo o arquipélago. O sistema já foi, inclusive, testado com sucesso em São Vicente durante uma tempestade recente, provando ser eficaz em cenários de crise.
O INSP ambiciona avançar com a implementação nacional ainda este ano, uma vez que o projecto não acarreta custos adicionais, trazendo apenas ganhos na rapidez de resposta do país”, salientou.
O projecto de investigação aplicada, iniciado em 2023, atraiu a atenção de organizações como a Organização Leste Africana da Saúde e de outros países africanos de língua portuguesa, interessados em replicar o modelo.
Apesar do sucesso, o INSP identificou desafios a rectificar na expansão nacional, nomeadamente a melhoria da qualidade da Internet e a redução do tempo de resposta dos serviços de saúde após os alertas comunitários.
PC/CP
Inforpress/Fim
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